Mãe pede ajuda para retorno de paranaense que está no Líbano
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quinta-feira, 31 de julho de 2008
Diego Ribeiro<BR>Equipe da Folha 
Curitiba- Mahassen Osman Chiah, 48 anos, mãe da paranaense impossibilitada de retornar do Líbano, afirmou ontem, em Matinhos (Litoral do Paraná), onde mora, que o Hezbollah -partido de resistência islâmica- não está envolvido com o impedimento do retorno de sua filha, Nariman Osman Chiah, 21. A mãe ainda pede ajuda ao governo brasileiro para o retorno da filha, que seria vítima de agressões do marido, o libanês Ahmad Holeihel. Nariman teria tentado embarcar para o Brasil no dia 21, com seu filho de 6 anos, também brasileiro, mas não conseguiu em razão de uma decisão de um tribunal local que barrou sua viagem.
De acordo com Mahassen, um advogado enviado pelo Consulado Brasileiro no Líbano deve se reunir com a jovem em um abrigo, onde está escondida. ''O maior medo da gente é que ela não consiga voltar'', afirmou Mahassen. Sem saber em que região do Líbano a filha está, ela contou que conversou com Nariman pela última vez ontem pela manhã e que as condições do abrigo em que a jovem está são razoáveis. ''Ela ganha alimentação lá, mas não tem nenhum dinheiro. Ela (Nariman) disse que não voltará sem trazer o filho junto e está apavorada'', contou Mahassen, que mora há 33 anos no Brasil.
Nariman casou em 2001 e está grávida de quatro meses. ''Ele já morou aqui na minha casa com ela. É uma briga de família, mas ele sempre a ameaçava e agredia ela e a criança'', comentou. De acordo com a assessoria de imprensa do Itamaraty, Nariman está recebendo toda assistência necessária no Líbano e o governo brasileiro está prestando assistência consular. Ainda segundo a assessoria, o advogado estuda todas as alternativas para trazê-la novamente.
Representante da comunidade muçulmana em Curitiba, Jamal Omairi reforçou que o Hezbollah ''não tem nada a ver com isso''. ''É uma questão particular, que não envolve o partido'', disse. ''O Hezbollah tem outras preocupações sociais, trabalha na reconstrução do Líbano e não é da alçada do partido se intrometer nesse tipo de questão.'' Segundo ele, se confirmado que Holeihel tem o comportamento agressivo denunciado pela família de Nariman, ele estaria proibido de integrar o Hezbollah. ''Não creio que, com esse perfil, estaria dentro; tem que ter exemplo de conduta'', afirmou Omairi.
A legislação libanesa impede que uma mulher, independentemente de ser muçulmana ou não, deixe o país acompanhada de filhos sem que haja autorização expressa do marido. Segundo a mãe de Nariman, a princípio, Holeihel teria permitido que a moça viesse ao Brasil para ter o filho. No entanto, voltou atrás. Ela disse ter feito um apelo ao genro, por telefone, anteontem. ''Ele respondeu que não é nem para sonhar que vai deixar sair de lá'', afirmou. (Com Agência Estado)


