São Paulo, 21 (AE) - A doméstica Maria Luzia Lima foi vítima do descaso e da burocracia da Febem ao tentar devolver seu filho hoje. Assustada porque filho R., de 16 anos, estava sendo ameaçado de morte, resolveu entregá-lo na porta do complexo Imigrantes, de onde ele havia fugido no dia 12, durante a primeira rebelião. R. estava preso há dois meses e meio no local por envolvimento com drogas.
Desde então ele e sua família começaram a receber várias ameaças. Preocupada, sua mãe resolveu levá-lo pessoalmente até a unidade de onde fugiu. Após cerca de 40 minutos ela foi avisada de que não poderia deixar R. no local. Maria Luzia foi orientada a ir até SOS criança, na Rua Piratininga, na região do Brás para que de lá eles encaminhassem o adolescente para a unidade.No SOS Criança os menores infratores passam por triagem, que define onde serão internados .
Maria Luzia foi de ônibus para o Brás entregar seu filho. "Eu sei que a Febem não é um hotel cinco estrelas, mas acredito que na rua é ainda pior, por causa das más companhias" afirmou. "Eu pensei que era só trazê-lo e ficaria tudo certo, mas eles me mandaram para outro lugar, não vou desistir, pois sei que vai ser melhor para o meu filho" disse enquanto saía com seu filho.
Febem - O novo diretor do complexo Imigrantes, Jorge Guedes, que assumiu ontem (20), considerou a atitude dos funcionários do complexo uma "imbecilidade". Também garantiu que isso não voltará a acontecer."É uma burocracia desnecessária, a mãe esteve aqui e precisaria ser atendida na hora e não encaminhada para outro local", disse Guedes. Quanto a rebeliões afirmou não ter condições de afirmar que elas não voltarão a acontecer.
A coordenadora do Conselho Tutelar da Criança e do Adolescente do município de São Paulo, Elizete Aparecida Miranda
que esteve no complexo Imigrantes, lamentou a burocracia . "A mãe entrega o seu filho que está sendo ameaçado e dizem que não podem recebê-lo, isso é um absurdo. não pode acontecer."

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