Mãe mantém gravidez de filha estuprada pelo pai em Dourados
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terça-feira, 10 de novembro de 1998
Agência Folha 
A dona-de-casa I.L.S., 32 anos, foi convencida por religiosos e voluntários contra o aborto a desistir do pedido judicial para abortar o feto de três meses de sua filha M.F.M., 13 anos, em Dourados (224 km de Campo Grande). M. está grávida do próprio pai, um mecânico de máquinas pesadas de 40 anos, que a estuprou, conforme teria admitido em depoimento na Polícia Civil.
A advogada Virgínia Ueda, 38 anos, protocolou ontem à tarde o pedido de arquivamento da solicitação de autorização judicial. Na última sexta-feira, a dona de casa havia reafirmado ao juiz Paulo Puccinelli sua decisão de autorizar o aborto, confirmando a petição protocolada em seu nome no fórum de Dourados no dia 3. O juiz Puccinelli não havia decidido sobre o assunto até anteontem, quando surgiu o pedido de arquivamento.
Segundo a advogada, I. comunicou que decidiu rever sua decisão por volta do meio-dia de ontem. I. disse que pessoas que a procuraram em sua casa, cujos nomes ela não informou à advogada, estariam dispostas a dar ajuda financeira para evitar a interrupção da gravidez de M.
A mãe de M., separada do marido, vivia há cinco anos longe da filha, até que veio a tona a denúncia do estupro, no dia 17. I. mora agora com sua filha num bairro pobre da periferia de Dourados. Na semana passada, M. voltou a dizer à advogada que estava disposta a fazer o aborto, porque teria ódio do feto. Ela estava até pensando em suicídio, disse Ueda. Ontem, M. nada falou a respeito do assunto com a advogada. O pai de M. está preso e foi indiciado por estupro na Delegacia da Mulher de Dourados.


