Sorocaba, SP - Uma decisão inédita da Justiça deu a uma das mães a guarda de dois bebês trocados durante o parto, na maternidade da Santa Casa de Votorantim, a 98 km de São Paulo. Os recém-nascidos tinham sido trocados em julho do ano passado, mas a troca só foi descoberta no início deste ano.
Exames de DNA confirmaram que as mães tinham levado para casa os filhos errados. O processo de destroca, iniciado em fevereiro, terminou de forma surpreendente. Acolhendo parecer do Ministério Público, a Justiça entendeu que a mãe biológica de uma das crianças não tinha condições de criar o próprio filho, enquanto que a outra mãe mostrou-se apta a cuidar dos dois. Da decisão, dada na última segunda-feira, ainda cabe recurso.
Até a decisão final, no entanto, a dona de casa Rita Ribeiro vai ficar com as duas crianças. De acordo com o promotor Wellington dos Santos Veloso, curador da Infância e da Juventude de Votorantim, desde o início do processo as mães vinham passando por um processo de avaliação psicológica. Por decisão da Justiça, elas moraram juntas durante duas semanas, convivendo com as crianças, para se adaptarem à nova situação. ''L. nunca se adaptou, pelo contrário, manifestou forte rejeição pelo próprio filho'', disse o promotor.
Embora revelasse interesse pela outra criança, filha biológica de Rita, não conseguia estabelecer com ela uma relação de afetividade. O promotor descobriu que L. já havia doado, para adoção, outro filho. ''A avaliação de nosso serviço social foi confirmada pelo laudo da psicóloga judicial. Chegamos à conclusão de que o menino estaria correndo sério risco se fosse entregue à própria mãe.''
Rita, ao contrário, embora pobre e moradora de um barraco, revelou-se mãe mais amorosa e consciente. Ela chorou, emocionada, ao tomar conhecimento da sentença. A decisão, segundo ele, é bastante incomum. ''Não existem casos relatados na literatura jurídica mais conhecida.''

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