Mãe faz vigília para tratamento do filho
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quarta-feira, 21 de julho de 2004
Jacira Werle<br>Reportagem Local 
O desespero para conseguir o tratamento do filho de 14 anos levou a dona de casa Sônia Eliane Caldeirão Janz a fazer um protesto em frente o prédio da Cooperativa de Trabalho Médico de Londrina (Unimed). Moradora na Zona Norte, ela iniciou uma vigília no local ontem de manhã e disse que só sairia de lá quando conseguisse a cobertura das sessões de quimoterapia do filho. O menino tem um câncer raro cujo tratamento não foi reconhecido pelos especialistas. ''Espero que eles se comovam. Não vou deixar o meu filho morrer'', disse a mãe, aos prantos, no final da tarde de ontem.
Sentada na escada do prédio da Unimed, Sônia contou que a doença do filho foi descoberta em janeiro de 2003. Ela disse que tinha outro plano de sá© ude, mas que é usuária do serviço atual há dois anos. Segundo ela, a família paga mais de R$ 700 por mês pelo plano. ''O contrato garante o pagamento de quimioterapia'', enfatizou, mostrando o documento.
Segundo a mãe, a situação piorou no dia 12 de julho quando ela foi com o filho até o Instituto de Câncer internar o menino para fazer quimioterapia. Na hora da internação o garoto foi barrado porque o plano não iria pagar o tratamento. Segundo Sônia, a primeira fase desse tratamento custaria pelo menos R$ 200 mil. ''Eles não estão preocupados, não é o filho deles,'' disse revoltada.
A dona de casa afirma que não tem como pagar o tratamento particular. ''Já pago plano de saúde para não precisar do SUS. Quando eu preciso, fazem isso,'' indigna-se. Sônia disse que já foram feitas duas avaliações pela Unimed, porém o pagamento para a quimioterapia não foi liberado.
Enquanto as luzes da cidade se acendiam e o vento forte aumentava a sensação de frio, Sônia mantinha as esperanças de curar o único filho.
Segundo a assessoria de imprensa da Unimed, o tratamento não foi liberado porque ''seria experimental''. Dessa forma, conforme justificou, ''o plano também não gostaria de arcar com algo que pudesse prejudicar um segurado''. A Unimed possui uma câmara técnica de oncologia que já avaliou o caso, mas não aprovou a quimioterapia. A assessoria disse que uma nova avaliação e possibilidade de um outro tratamento vão ser estudadas o mais rápido possível.
O médico oncologista do menino, Mário Liberati, explica que o garoto possio um câncer muito raro e que o tratamento prescrito é o único possível. Pela raridade do caso, não há nenhum tratamento reconhecido ainda, explicou o médico. ''Na realidade não existem resultados conclusivos. Eu como médico preciso sugerir que o paciente corra o risco'', conclui.


