Mãe é presa após deixar filho pegar arma e atirar contra a mão em Londrina
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terça-feira, 03 de março de 2020
Rafael Machado - Grupo Folha 
Uma mulher de 30 anos foi presa pela Polícia Militar na tarde desta segunda-feira (2) no distrito de Lerroville, zona rural de Londrina, depois que o próprio filho levou um tiro em uma das mãos. Os policiais ficaram sabendo do caso pelos funcionários do posto de saúde, que atenderam a criança de 10 anos. Pelo nome do garoto, eles encontraram e levaram a mãe para a Central de Flagrantes, onde ela foi interrogada. O menino foi transferido para o Hospital Universitário (HU) para ser submetido a uma cirurgia.

Trata-se de uma garrucha calibre 38, que tem capacidade para dois tiros. Uma munição também foi apreendida. No interrogatório, a suspeita disse que achou a arma no começo do ano passado em uma estrada e decidiu guardá-la em casa. "Nesse tempo todo, deixei em uma prateleira que fica em um dos quartos. Não tinha nada em cima escondendo, nenhum pano ou blusa. Meus filhos são muito espertos. Ele (criança atingida pelo tiro) sabia que eu tinha uma arma", explicou.
A mulher também disse que sua filha havia comentado ter sido abusada sexualmente pelo pai. "Se isso voltasse a acontecer, eu usaria a garrucha". O delegado Thiago Vicentini, que ouviu a presa e estava de plantão, repassou a denúncia ao 6º Distrito Policial, que deve instaurar uma investigação. Ela já tinha registrado um boletim de ocorrência na delegacia do suposto estupro.
"Além dela ter deixado de observar as cautelas necessárias para impedir que seu filho pegasse a arma de fogo que estava sob sua posse, ela tinha por lei a obrigação de cuidado, proteção e vigilância. Sendo assim, devia e podia agir para evitar o resultado, ou seja, a lesão corporal e o disparo de arma de fogo. Assim sendo, certo é o entendimento que é responsável, considerando que a criança não tinha a intenção de se machucar", definiu o delegado no inquérito. A jovem foi autuada por omissão de cautela, lesão corporal culposa e disparo de arma de fogo. Ela deve passar por audiência de custódia nos próximos dias.
Apucarana
Na semana passada, uma situação semelhante aconteceu em Apucarana, no Norte do Paraná. Um garoto de 11 anos morreu baleado no conjunto habitacional Solo Sagrado. A Polícia Militar informou que a vítima estava brincando com um amigo, um adolescente de 15 anos. Ele chegou a ser socorrido, mas deu entrada já morto na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) da cidade. Considerado o principal suspeito, o colega se apresentou dias depois na delegacia espontaneamente acompanhado da mãe e da advogada.
Segundo o delegado-chefe da 17ª Subdivisão Policial (SDP), Marcus Felipe da Rocha Rodrigues, o adolescente afirmou que um adulto havia passado o revólver a ele, que guardou a arma no armário. "Quando saiu de casa, ele encontrou o amigo no meio do caminho, e foi aí que combinaram de brincar dentro da casa onde tudo aconteceu. Segundo o menor, a vítima pediu um carregador de celular e viu a arma de fogo. Ele teria perguntado ao amigo que réplica era aquela, mas foi informado de que era um armamento verdadeiro. Mesmo assim, ele teria mexido e entregado para o suspeito supostamente apontando para a direção do seu peito. Quando ele pegou a arma, veio o disparo. Assim que viu o amigo baleado, correu para socorrê-lo, mas sempre alegou que tudo ocorreu acidentalmente", afirmou em entrevista coletiva.
A Justiça de Apucarana ainda irá decidir pelo internamento ou não do menor. A Polícia Civil assegurou que o próximo passo é identificar a pessoa que teria repassado o revólver para o garoto.


