Mãe é informada de prisão na hora da visita
São Paulo, 20 (AE) - A noite foi intraquila. Foram dezenas de ligações para UE-14, onde o filho estava internado. Em todas, a resposta era de que ele passava bem e não tinha sido ferido. A dona de casa Vera Lúcia Perazzolo, de 38 anos, não acreditou nas informações, mas mesmo assim acordou otimista, em sua casa no bairro de Sapopemba. Ia ver o filho depois de três semanas num almoço, quando as mães preparariam uma macarronada. Iria ver também os tabalhos "do mais velho", que seriam expostos num bazar beneficente, promovido pela Febem.
Ao chegar ao portão da Febem, na Avenida Celso Garcia, seu filho, Amadeu Eduardo Perazzolo, de 18, não estava lá. Mandaram que o procurasse no 81.º DP. "Preso em flagrante por tentativa de homicídio e formação de quadrilha? Esse pessoal está louco", reagiu. "Meu filho nunca matou nem bateu em ninguém", disse. "Ele só roubava carro para passear." Amadeu, em quatro anos, foi internado sete vezes em unidades da Imigrantes e do Tatuapé por roubo de carros, principalmente importados. Agora, estava internado desde outubro.
No início, revoltada, dizia: "Os monitores têm de ser mortos mesmo" ou "a Febem não dá educação, não há cursos, só de criminalidade, onde aprendem a usar drogas."
Mais calma, mudou sua opinião. "Meu filho fazia cursos de pintura, de dança de rua e de pirografia e vários de seus trabalhos seriam expostos no bazar."
Também disse que não podia se queixar dos monitores. "Sempre me atenderam bem e, quando eu ligava, deixavam meu filho falar comigo", confidenciou. "O Amadeuzinho é um pouco nervoso, mas estava melhorando e em março ia sair", afirmou. Ela lembrou que no último domingo do mês era promovido um churrasco entre os internos e suas famílias, com alguns funcionários participando. "No domingo de meio de mês era uma macarronada."





