Mãe e filhos ficam em buraco
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terça-feira, 09 de setembro de 1997
Agência Folha São José dos Campos 
A empresária Mylene Aparecida Raspa Romani, 29, de Jacareí (a 68 quilômetros de São Paulo), e os filhos Rafilis, 6, e Ludmila, 4, foram encontrados na madrugada de ontem pelas polícias de São José dos Campos e Jacareí após terem sido mantidas 36 horas em cativeiro em um buraco. Mylene e os filhos foram sequestrados por volta das 14h30 de domingo em frente de sua casa, em Jacareí. Os supostos sequestradores, Ismael Moraes da Silva e João Batista Tomaz, foram presos e levados à Cadeia Pública de Jacareí. O carro de Mylene, um Kadett, foi abandonado no estacionamento do CenterVale Shopping, em São José dos Campos (SP).
O primeiro contato dos sequestradores foi na noite de domingo. Eles exigiram um resgate de R$ 750 mil para libertar os reféns. Após negociações com a família, o valor caiu para R$ 20 mil.
Todas as ligações dos sequestradores foram monitoradas pela polícia. O delegado seccional de Jacareí, Roberto Monteiro de Andrade Júnior, conseguiu apoio do Grupo Anti-Sequestro de São Paulo. Os policiais conseguiram descobrir que as últimas ligações dos sequestradores foram feitas no telefone público do 1º Distrito Policial de Jacareí. O cativeiro foi descoberto à 1h30, na Rua 8, Jardim Santa Cecília 1 - área rural de São José.
Segundo um dos irmãos de Mylene, o piloto de motocross Ricardo Raspa, 32, ela e os filhos ficaram presos por 36 horas dentro em uma área de 2,5 metros quadrados. O sequestrador disse para o pedreiro que o buraco serviria para armazenar água.
Eles estavam acorrentados. Segundo a polícia, o cativeiro foi construído há dois meses com a finalidade de abrigar as vítimas do sequestro. A área não tinha energia elétrica e as fezes eram feitas em uma lata com terra. Nós passamos todo o tempo nos alimentando de batatas e água, disse Mylene.


