Curitiba - Mãe e filha que se submeteram a uma cirurgia inédita de transplante de pâncreas intervivos na última terça-feira, no Hospital Angelina Caron, passam bem. A expectativa é que a filha Thelma Xavier, 26 anos, que doou parte do pâncreas à mãe , receba alta nos próximos dias, possivelmente amanhã. A mãe, Gelcy Trentin, 49 anos, deve deixar o hospital a partir da semana que vem. Gelcy é diabética desde os 17 anos.
A cirurgia durou cerca de oito horas e meia, e significa para o Brasil e para a América Latina um avanço na cura da diabetes. De acordo com o Hospital Angelina Caron, em Campina Grande do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba, já haviam sido feitos 130 transplantes intervivos do pâncreas, todos nos Estados Unidos. Porém, desde 2001, o Angelina Caron realiza transplantes com pâncreas de pessoas mortas.
O médico João Eduardo Leal Nicoluzzi, responsável pelo transplante, afirmou que o sucesso da operação de anteontem abre novas possibilidades para os pacientes com diabetes. No caso de órgãos de parentes, as chances de rejeição são menores, caindo de 40% (pâncreas estranho) para 5% a 10% (caso de familiares).
A doença está relacionada com o funcionamento do pâncreas, que produz uma secreção com o hormônio insulina. Os diabéticos têm deficiências nessa função, e por isso precisam tomar doses de insulina. Com um pedaço do pâncreas de um doador, o paciente volta a produzir o hormônio.

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