Agência Estado
De São Vicente
A procuradora da Fazenda Federal, Sílvia Regina Ferreira Giordano, mãe de Thiago Passos Ferreira, de 17 anos, morto por policiais militares após um baile de carnaval, na Baixada Santista, está processando o Estado de São Paulo por causa do crime. Thiago foi morto na Quarta-Feira de Cinzas junto com outros dois jovens.
Na ação, movida na 1ª Vara da Fazenda Pública, na capital, Sílvia Regina reivindica indenização no valor de R$ 1,4 milhão por danos morais e materiais, além de pensão cujo valor deverá ser fixado pela Justiça, até a data em que a vítima completaria 65 anos ou até a morte da procuradora.
Segundo a acusação, Thiago estava em companhia de dois colegas na esquina da Rua Saldanha da Gama com a Avenida Manoel da Nóbrega, na Praia do Itararé, em São Vicente, quando foi detido por uma viatura da Cavalaria da PM, de prefixo 80.003, que fazia o patrulhamento da região. O rapaz, junto com Anderson dos Santos, de 14 anos, e Paulo Roberto da Silva, de 19, foi levado a um manguezal localizado na região do Portinho, em Praia Grande. Lá, todos foram executados e enterrados. São acusados de participação no crime os policiais militares Alessandro Rodrigues de Oliveira, Edivaldo Rubens de Assis, Marcelo de Oliveira Christov e Humberto da Conceição.
De acordo com Guirao, a ação é fundamentada no fato de que toda a pessoa posta sob a guarda do Estado, como era o caso dos três jovens, tem direito de ter preservada a sua integridade física e moral. O advogado reforça sua tese destacando que o nexo entre a ação policial e o resultado (morte do menor) está amplamente demonstrado e caracterizado, não só pela confissão dos policiais militares, como também pela farta prova produzida em juízo, no processo criminal.
‘‘O menor foi colocado sob a proteção do Estado, quando detido na rua e conduzido na viatura policial. Abordado em plena avenida da Praia do Itararé, ao sair de um baile, Thiago foi espancado, colocado na viatura e conduzido a Praia Grande, onde, foi sumariamente executado com um tiro na nuca’’, lembrou.
O ex-juiz recorda que o caso ganhou repercussão nacional pelo clima de mistério que envolveu o desaparecimento dos jovens, que tiveram seus corpos localizados somente 17 dias após o crime. Ele reforça que o sofrimento da mãe de Thiago foi muito grande ao saber que o filho foi escolhido para ser o último a ser executado, depois de testemunhar a morte de seus dois colegas.
Com base na dor e no sofrimento da mãe, o advogado chegou ao valor de 10.800 salários mínimos (cerca de R$ 1,4 milhão) da indenização. ‘‘Ela teve seu único filho morto em plena adolescência, sem que o rapaz nada tivesse aproveitado da vida e sem ter o direito de morrer dignamente’’, afirma.

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