Sertanópolis - A boia-fria Teresa Ciriema, de 48 anos, acusa a Polícia Civil de ter negligenciado atendimento médico adequado ao filho, o detento Valdinei dos Santos, de 26 anos, preso desde janeiro na carceragem da Delegacia de Sertanópolis (Região Metropolitana de Londrina).
Santos foi transferido ontem à noite do Hospital São Lucas, em Sertanópolis, para a Unidade de Terapia Intensiva do Hospital São Gabriel, em Rolândia. Segundo a médica Valéria Barbosa, integrante da Unidade de Suporte Avançado (USA) responsável pela transferência, o quadro clínico do paciente ''é grave e inspira cuidados''.
Segundo o diagnóstico da equipe médica do Hospital São Lucas, Santos apresenta infecção urinária aguda e um suposto problema neurológico ainda não identificado. É portador de hanseníase e sofre de diabetes.
De acordo com relatos da mãe, a família solicitou ''muitas vezes'' a internação de Santos ao delegado de Ibiporã, Paulo Gomes de Souza, que chefia a Polícia Civil também em Sertanópolis. ''Ele não queria a internação porque dizia que não tinha como deslocar um policial para fazer a segurança dele e chegou a me dizer que ele estava bem de saúde, que logo iria melhorar'', disse a boia-fria. Um funcionário do hospital São Lucas confirmou à reportagem da FOLHA que a demora no atendimento ''agravou e muito'' o estado de saúde de Santos.
O filho de Teresa aguarda julgamento acusado de crimes como tráfico de drogas, porte ilegal de arma e formação de quadrilha em uma cela superlotada, com capacidade para quatro pessoas, mas que ontem abrigava 14 presos. A Polícia Civil considera Santos um criminoso perigoso.
O caso está sendo acompanhado pelo Centro de Direitos Humanos (CDH) de Londrina. ''A internação só ocorreu porque a família procurou ajuda e denunciou o caso. Intercedemos por ele no Ministério Público, o que resultou na decretação de prisão domiciliar até o seu restabelecimento. Não fosse isso, Valdinei estaria na cela até hoje'', afirmou. Há quatro anos estamos denunciando a situação carcerária no Paraná. O problema é uma bomba-relógio'', comentou o coordenador da entidade, Carlos Henrique Santana.
A FOLHA tentou contato com o delegado Paulo Gomes de Souza no final da tarde de ontem, mas ele não foi localizado. No entanto, um policial civil de Sertanópolis que não quis se identificar garantiu que não houve omissão. ''Ele era encaminhado diariamente ao hospital, mas se recusava a tomar a medicação, por isso seu estado de saúde piorou. Quando isso ocorreu, ele foi internado e estava aguardando vaga num hospital melhor equipado. Fizemos o que podíamos por ele'', declarou.

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