Mãe de jurado sofre derrame cerebral por causa de ameaças
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terça-feira, 24 de agosto de 1999
Por Carlos Mendes, especial para a AE 
Belém, 25 (AE) - O jurado Sílvio Mendonça, cuja intervenção no julgamento teria provocado a absolvição dos oficiais da Polícia Militar acusados de comandar o massacre de sem-terra em Eldorado dos Carajás, no sul do Pará em 1996, procurou hoje pela manhã o juiz Ronaldo Valle, encarregado do processo, para contar que os telefonemas anônimos com ameaças de morte que diz estar sofrendo causaram um sério problema de saúde em sua mãe. "Minha mãe não resistiu e teve um derrame cerebral", contou ele.
Mendonça disse que sua mãe, cujo nome preferiu não revelar para "não piorar ainda mais as coisas", vinha atendendo a maioria dos telefonemas e andava muito nervosa com o que poderia acontecer a ele. "Ela se preocupou tanto que agora está internada no hospital". Mendonça estava dentro do gabinete do juiz acompanhado de seguranças, um deles investigador da Polícia Civil. Quando o jurado falava com o repórter da Agência Estado, afirmando que, apesar da doença de sua mãe, "as coisas começam a melhorar" para ele, sobretudo por causa da abertura de inquérito para apurar suposta tentativa de suborno a favor da absolvição dos três oficiais da PM, o juiz abriu a porta do gabinete e, irritado, afirmou que não prestaria qualquer declaração à imprensa.
"Estão me atacando e só publicam acusações e calúnias contra mim. O que eu falo é cortado e não saí na íntegra", disse. O repórter chegou a pedir ao juiz que nominasse os jornais que o estariam caluniando, mas Valle entrou novamente no gabinete e chamou Mendonça para continuar a conversa interrompida. Valle tem em suas mãos um pedido do advogado Américo Leal solicitando a quebra do sigilo bancário do coronel Mário Pantoja, do major José Maria Oliveira e do capitão Raimundo Lameira, além de todos os sete jurados que participaram da sessão na qual os três oficiais foram inocentados.
"Se você quer saber isso, não fale comigo. Procure a secretária da repartição criminal", disse o juiz antes de fechar a porta e ordenar a dois policiais militares para que não permitissem mais a entrada de jornalistas no local. A secretária da repartição, de prenome Adelaide, não foi encontrada em sua sala. Um funcionário do TJ, que preferiu não se identificar, informou que Adelaide estava seguindo orientação de Valle, que é também diretor do fórum criminal.


