Mãe de condenado confia na reversão da pena
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quarta-feira, 16 de fevereiro de 2005
Andréa Lombardo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A mãe do brasileiro Rodrigo Gularte, 32 anos, condenado à pena de morte na Indonésia por tráfico de drogas falou, ontem, pela primeira vez com a imprensa, depois da divulgação da sentença, no último dia 7. Apesar de abalada com a notícia, Clarisse Muxfeldt Gularte disse estar confiante na reversão da condenação. ''Temos que respeitar as leis da Indonésia, mas a pena de morte é muito cruel nos dias de hoje, quando se luta pela paz e prevalência dos direitos humanos'', desabafou.
Clarisse participou de entrevista coletiva na tarde de ontem na sede da Ordem dos Advogados do Brasil - Seção Paraná (OAB-PR), quando foi anunciado, oficialmente, o interesse da instituição em sensibilizar a sociedade e as autoridades diplomáticas, inclusive, por meio da mobilização de organismos internacionais. Nesse caso, a Associação Internacional de Direito Penal, que tem como vice-presidente o advogado de Curitiba René Dotti, pode ser um dos caminhos.
O presidente da OAB-PR, Manoel Antonio de Oliveira Franco, disse que está sendo elaborado um documento para ser encaminhado ao presidente do Conselho Federal da OAB Nacional, Roberto Busato, e ao ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos. ''Nós não podemos interferir judicialmente, mas queremos chamar a atenção para o lado humano'', disse.
Clarisse contou que falou com Rodrigo Gularte anteontem. Foi o primeiro contato entre mãe e filho depois da condenação. Ela disse que a maior preocupação de Rodrigo é com o sofrimento que ele está causando aos familiares. Segundo a mãe, o rapaz também está confiante de que sua situação seja revertida.
Depois da prisão, em 31 de julho do ano passado, Clarisse passou 21 dias em Jacarta para acompanhar a situação de seu filho. Ele foi preso ao desembarcar no aeroporto com seis quilos de cocaína escondidos em uma prancha de surfe. Dois amigos brasileiros o acompanhavam, mas ele assumiu a culpa sozinho. Clarisse disse não saber nada sobre o envolvimento de Rodrigo com o tráfico de drogas, mas confirmou que seu filho era dependente químico.
Clarisse disse, também, que estava ciente, desde o início, que os diplomatas brasileiros não poderiam interferir no processo de Rodrigo. ''Eles estão preocupados com a saúde física, mental e psicológica do meu filho'', acrescentou.
O presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB-PR, Cleverson Marinho Teixeira, lembrou que acordos recentes firmados entre o Brasil e outros países como a China e o Canadá permitiram que estrangeiros presos aqui pudessem cumprir suas penas nos países de origem. Ele citou o caso dos sequestradores do empresário Abílio Diniz, que foram extraditados para o Canadá. Lembrou, também, que as leis brasileiras prevêem pena máxima de 15 anos de prisão para tráfico de entorpecentes.


