A mãe do bebê de apenas seis meses internado em estado grave no Hospital Universitário Regional dos Campos Gerais, em Ponta Grossa, foi presa na noite de segunda-feira (26) pelo Nucria (Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente Vítimas de Crimes). A mulher de 21 anos foi detida no próprio hospital, enquanto visitava o filho. O pai, de 25 anos, já havia sido preso na última quinta-feira (22) por suspeita de ter cometido o crime de tortura com lesão corporal grave contra a criança.

A delegada do Nucria em Ponta Grossa, Ana Paula Carvalho, ressaltou que vizinhos, parentes, médicos e outras pessoas ligadas à família prestaram depoimentos após a prisão do pai. "A gente teve a certeza de que pelo menos houve omissão relevante da mãe e até atos da própria mãe contra o bebê", afirmou. Carvalho disse ainda que, durante interrogatório, a mãe confirmou que ela e o marido já haviam deixado a criança sozinha em casa algumas vezes para ir ao mercado. "Eles já deixaram o bebê sozinho por volta de 30 a 40 minutos dentro do carro. Uma vizinha alertou e eles retiraram o bebê", contou a delegada. Segundo ela, a mãe confessou ainda que já havia presenciado agressões do pai.

Com base nos depoimentos, a delegada solicitou a prisão da mãe por abandono de incapaz, maus-tratos e omissão relativa a tortura. O casal está preso no Minipresídio de Ponta Grossa. O pai do bebê deve ser interrogado nesta quinta-feira (28).

O caso é acompanhado pelo Conselho Tutelar desde o dia 15 de junho, quando o menino foi internado por broncopneumonia, mas apresentava hematomas na bochecha. O comportamento dos pais também foi observado pela equipe do hospital, que acionou o órgão. Diante dos fatos, o conselho solicitou ao Ministério Público que o bebê ficasse retido no hospital ou que fosse acolhido em um abrigo até o posicionamento da Vara da Infância e Juventude. Na ocasião, o Ministério Público entendeu que não havia justificativas suficientes para que a criança fosse encaminhada a um abrigo e determinou o cumprimento de medidas protetivas pelo Conselho Tutelar, como o acompanhamento temporário dos pais. "Todas as medidas foram adotadas de imediato já na sexta-feira", ressaltou a conselheira tutelar Michelly Markowcz.

Na semana seguinte, com a nova internação, o Conselho Tutelar reforçou o pedido de afastamento e acolhimento da criança e o Ministério Público acolheu a solicitação. Desta vez, o menino sofreu politraumatismo craniano, apresentava fraturas em duas costelas, marcas de mordida no braço direito e hematomas na perna. "A comunicação entre o conselho e o MP foi rápida e o conselho implementou todas as medidas solicitadas pelo Ministério Público. Já vi casos graves, mas nunca algo tão grave. Desde janeiro, atendemos 90 casos de violência física contra crianças e adolescentes em apenas um dos três conselhos tutelares de Ponta Grossa", relatou.

Em nota, o Ministério Público reforçou passo a passo todas as medidas adotadas no caso. A direção técnica do Hospital Universitário Regional dos Campos Gerais da Universidade Estadual de Ponta Grossa informou que o menino permanece internado na UTI Pediátrica.

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