Suposta vítima das falsas pílulas anticoncepcionais de farinha, a professora de Volta Redonda (120 km do Rio) Paloma Ribeiro Trepin, 35 anos, deu à luz anteontem duas gêmeas. Ela seria a primeira vítima no país do remédio Microvlar, do laboratório Schering do Brasil, a ter filhos. Cansada, depois de uma cesariana, Trepin desabafou: ‘‘Não aconselho ninguém a ter gêmeos, é muito sofrido’’. Casada pela segunda vez e já com um casal de filhos, Trepin disse que ficou desesperada quando, em março passado, descobriu que estava grávida de gêmeos. As gêmeas Emily e Evelyn nasceram prematuras de oito meses, mas passam bem.
A professora entrou na Justiça contra a Schering do Brasil, reivindicando uma indenização por danos morais e materiais de R$ 4 milhões. No mês passado, o advogado Jorge Béja conseguiu acordo preliminar em que a Schering se comprometeu a pagar um seguro-saúde para Trepin e as filhas por um ano.
Embora não tenham sido apreendidas pílulas de farinha em Volta Redonda,
Trepin sustenta que tomava as pílulas Microvlar havia 12 anos e que comprou as que supostamente falharam na cidade. ‘‘É um medicamento bom. Isso que aconteceu foi um acidente’’, disse. Segundo ela, em março começou a passar mal, sentindo tonturas e enjôo. Ao ir ao médico, tomou um susto ao saber que estava grávida. ‘‘Fiquei quase um mês em depressão.’’
Trepin reclamou que teve uma gravidez problemática, pois ficou anêmica, chegando a tomar duas transfusões de sangue, e teve problemas na artéria uterina, precisando passar o último mês hospitalizada. Anteontem, ao passar mal, foi submetida a uma cesariana de emergência na Casa de Saúde São José, no bairro Retiro, em Volta Redonda. A professora afirmou que não guardou a cartela das pílulas que teriam sido feitas de farinha, mas disse que a mostrou para o seu médico, desconfiada de que havia uma falsificação. Ela disse que depois jogou a cartela fora. ‘‘Quem guarda quer fazer alguma coisa premeditada.’’ Ao saber pelos meios de comunicação do caso das pílulas feitas com farinha para testes, que foram vendidas irregularmente no mercado, resolveu entrar na Justiça.
Em 24 de agosto, em audiência de conciliação, o juiz da 42ª Vara Cível do Rio de Janeiro, Luis Carlos Neves Veloso, determinou que a Schering do
Brasil contratasse um plano de saúde para dar assistência à mãe e às filhas.
Agora, Trepin aguarda o final da ação, quando espera receber R$ 4 milhões. Ela reclama que ‘‘deve ser uma barra criar gêmeos, pois todas as despesas passam a ser em dobro’’.

mockup