Franciele Gawleta, mãe das duas crianças encontradas mortas na manhã desta quarta-feira (4), confessou informalmente à Polícia Militar que teria matado seus dois filhos, um menino de 5 anos e uma menina de pouco mais de 1 ano, em Arapongas (Região Metropolitana de Londrina). Ela foi presa no fim da tarde do mesmo dia, após buscas da Polícia Militar depois de seus filhos serem encontrados mortos dentro de um HB 20 em uma rodovia entre Itambaracá e Bandeirantes (Norte Pioneiro).

A admissão de autoria consta em um vídeo registrado quando ela ainda estava no camburão, antes de ser conduzida para a Polícia Civil. Na gravação, entre falas desconexas e inconstâncias de emoção, ela afirma que jamais faria mal aos filhos, que procurou ajuda em órgãos como a Justiça e o Conselho Tutelar e que sua atitude era para “proteger os filhos”, porque não queria mais vê-los sofrer. Também disse que pretendia tirar a própria vida, mas que a correnteza do rio em que teria se jogado a levou até a margem e ela se salvou.

Paralelamente à narrativa confusa da mãe, a Polícia Civil recebeu, na manhã da quarta, o aviso de que os corpos das crianças foram encontrados dentro do veículo de cor vermelha. Segundo a PCPR, familiares disseram que a mãe havia enviado mensagens e feito publicações em redes sociais de que atentaria contra a própria vida e contra os filhos.

Com família em Itambaracá, Franciele vivia com os filhos em Arapongas. Ela estaria em processo de divórcio e não vivia com o pai das crianças. Segundo as informações dadas por ela mesma, o que pretendia era que os filhos fossem enterrados pelos parentes de Itambaracá, após ela tirar própria vida.

Ao confessar no vídeo, ela afirma que procurou ajuda da Justiça e do Conselho Tutelar porque precisava trabalhar e não tinha com quem deixar os filhos. “Vocês podem ver. Eu fui atrás de Fórum, eu fui atrás de Conselho Tutelar. Eu chorei naquela p****, eu falei ‘me ajuda, eu não tenho com quem deixar essas crianças, eu preciso trabalhar’. Eu chorei, meu. Você acha que alguém me ajudou? Eu fui na delegacia, fui em um ‘monte de coisa’ para chegar nesse ponto”, diz Franciele, chorando em um momento de exaltação, para os policiais, que tentam acalmá-la e entender as circunstâncias do crime em si.

Em seguida, diz que tirou a vida dos filhos ainda em Arapongas e que queria trazê-los para a cidade dos parentes para que fossem enterradas entre família. “A minha intenção não era machucar elas (sic). Eu só não aguentava mais e não queria deixar ninguém para trás para sofrer, entendeu?” diz ela no fim do vídeo, mais uma vez em prantos.

Segundo apurou a reportagem, Franciele foi demitida de um emprego em Arapongas em 11 de setembro, após não passar do período de experiência. As crianças foram enterradas na manhã desta quinta, em Itambaracá, com a presença do pai, familiares e moradores da cidade.

Localização e captura

Franciele foi localizada na tarde de quarta após mobilização das forças de segurança ao longo do dia. De acordo com a tenente Júlia Hiromi Bansho, do 18º Batalhão de Polícia Militar, familiares informaram que Franciele havia enviado mensagens nas quais assumia a autoria dos homicídios e manifestava a intenção de tirar a própria vida.

No final da tarde, as autoridades receberam informações de que ela próxima a um pesqueiro na zona rural de Itambaracá. Policiais militares de Bandeirantes se deslocaram até o local indicado e a encontraram perto do rio.

Conforme a tenente, ao ser abordada pelos policiais, Franciele começou a confessar que havia matado as crianças. O delegado Denner Roque, da Polícia Civil de Andirá (Norte Pioneiro), disse que ela admitiu informalmente a prática dos crimes, mesmo ciente de seus direitos constitucionais.

Ainda de acordo com a tenente, a suspeita teria dito que cometeu os homicídios para atingir um ex-companheiro, com quem mantinha desavenças. A motivação, entretanto, ainda será alvo de inquérito das autoridades.

Segundo Roque, várias diligências feitas durante o dia reuniram provas de autoria e materialidade dos homicídios. Esses indícios deverão sustentar eventual ação penal a ser apresentada pelo Ministério Público.

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