Curitiba - O bebê de pouco mais de um mês que, segundo relato da mãe, teria sido sequestrado, na última quarta-feira, foi encontrado morto, por volta do meio-dia de ontem, em uma vala a poucos metros da casa onde os pais moram, no bairro São Dimas, em Colombo, Região Metropolitana de Curitiba. Em interrogatório, na tarde de ontem, Karla Cassiana Ponfrecki, 19 anos, confessou que a criança teria morrido depois de cair acidentalmente de seus braços. Com medo da reação dos familiares do pai, ela teria abandonado o bebê em um terreno baldio e inventou a história de que a menina Nicole Eduarda Ponfrecki teria sido arrancada de seus braços por um homem, enquanto passeava pela rua.
A delegada do Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas (Sicride), Daniele Serighelli, pediu a prisão preventiva de Karla, no início da noite de ontem, e aguardava que o Juízo da Vara de Inquéritos enviasse o mandado para encaminhá-la, possivelmente, para a Penitenciária Feminina, em Piraquara, na região metropolitana. Até o fechamento desta edição, a prisão ainda não havia sido decretada.
Em princípio, Karla deverá ser indiciada por homicídio culposo (sem intenção de matar), ocultação de cadáver e falsa comunicação de crime à polícia. No entanto, a delegada de Colombo, Márcia Marcondes, que atuou em parceria com o Sicride, disse que as investigações prosseguem para apurar se a morte foi de fato acidental. As informações preliminares do Instituto Médico Legal (IML) apontam traumatismo craniano como causa da morte.
Durante boa parte do depoimento, Karla ainda sustentou a história do sequestro, mas se contradisse por várias vezes até confessar. Ela relatou à polícia que estaria brincando com Nicole, logo após amamentá-la, quando ela teria caído, ferindo a cabeça. Karla disse que teria chacoalhado o bebê para reanimá-lo, mas percebeu que já estaria morto.
Karla deverá passar por exames psiquiátricos para avaliar uma possível depressão pós-parto. Segundo a delegada Márcia, não há indicativos fortes de que mãe estivesse nessa condição. Ontem, ela foi submetida a uma sessão de hipnose no Instituto de Criminalística, na tentativa de lembrar detalhes do suposto sequestro. Segundo o psiquiatra Rui Fernando Cruz Sampaio, que conduziu a sessão, é comum a vítima se emocionar ao reviver os momentos traumáticos, o que não aconteceu com Karla. Até então, ela não sabia que o corpo do bebê já havia sido encontrado.
O pai de Nicole, Alex Thiago Ribeiro Guedes, 20 anos, também prestou depoimento no Sicride em sala separada. A delegada do Sicride preferiu que a própria jovem contasse a Guedes a sua versão dos fatos.(Colaborou André Amorim)

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