Curitiba- ''Parabéns, mamãe. Você está gravidíssima!''. Um ano e nove meses depois, a secretária Márcia Cristiane Hannemann Pinto, 33 anos, ainda se emociona e chora ao lembrar do momento em que, depois de 12 anos e meio de espera, finalmente pôde comemorar a notícia de sua gravidez. Alegria essa que foi novamente festejada no último dia 30 quando seu filho Jonnathan completou um ano de idade.
Márcia é casada há 14 anos com o funcionário público Edilson Pina Pinto. Seis meses após o casamento, parou de tomar anticoncepcional. Três anos depois, sem conseguir engravidar, procurou um médico. Tanto ela como o marido realizaram vários exames, mas não foi detectado nenhum problema. Mesmo assim, decidiu tentar a fecundação assistida por especialistas e ssubmeteu-se a nove inseminações e uma fertilização ''in vitro'', todas sem sucesso.
''Daí decidi parar com o tratamento, porque era muito doloroso, além de afetar muito o lado psicológico'', conta. Evangélica, sempre pedia a Deus para que a ajudasse a ficar grávida e que lhe enviasse um sinal para saber se deveria ou não procurar outra alternativa. Nessa época, foi aconselhada pelo ginecologista a procurar a Clínica Androlab, especializada em reprodução assistida. O casal fez novamente todos os exames, mas a causa continuou desconhecida. Segundo ela, uma ecografia chegou a mostrar um cisto no ovário, que sumiu após medicação, mas que não teria nenhuma relação com sua infertilidade.
Dessa vez, foi feita uma única fertilização ''in vitro''. Deu certo e dois embriões foram implantados em seu útero. Destes, um cresceu. ''Minha menstruação atrasou, mas não contei para ninguém, nem para o marido. Uma manhã, levantei às 6 horas e, eu que nem sou muito chegada a carne, peguei um pedação de costela assada para comer, daí achei que devia estar grávida'', diz. Com a notícia esperada, as comemorações não pararam. ''Tive que fazer três chás de bebê. No primeiro, vieram 80 pessoas, no segundo 250 e no terceiro, 70''.
Sem dinheiro para fazer o tratamento, Márcia se cadastrou como doadora de óvulos em um programa feito pela Clínica junto ao Hospital de Clínicas (HC). O programa cadastra mulheres com menos de 33 anos para doar parte de seus óvulos a mulheres que, por algum problema do organismo, não produzem óvulos e, portanto, não podem engravidar. A receptora, por sua vez, arca com as despesas do tratamento da doadora. Todo processo é feito com assistência total da clínica, que acompanha as duas pacientes. (M.G.)

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