Curitiba- A curitibana Mônica Luczynski, de 45 anos, suplicou ontem por ajuda governamental para conseguir rever suas duas filhas Michela e Marcella. As duas foram levadas do Brasil no dia 31 de janeiro de 2006 para a Itália. Desde então, Mônica tenta comunicação com as filhas, mas tem sido impedida de falar com elas mesmo por telefone pela Justiça italiana.
Mônica e a advogada Laís Pindanga vivem o drama há cinco meses sem poder revelar nada para a imprensa a pedido de políticos do Congresso Nacional. Ontem, elas estiveram na Assembléia Legislativa pedindo auxílio para os componentes da Audiência Pública que está estudando uma Política Nacional de Enfrentamento do Tráfico de Pessoas.
A curitibana vivia com o marido italiano Marco Abbaci. Eles resolveram morar no Brasil e Laís foi procurada pela prima (e cliente) para conseguir fazer uma separação já que o italiano se recusava a se separar amigavelmente. Na Justiça, Laís conseguiu a separação de corpos do casal e a guarda das crianças para Mônica. O pai foi impedido de visitar as filhas no início. Até que o italiano postulou o direito de visitas.
''Eu sabia que ele (Abbaci) era perigoso e pedi por dez vezes nos autos que não fosse dado o direito de visitas para o pai. Cheguei a dizer ao juiz que se o pai fizesse algo, ele teria que ir buscar as crianças. Nada adiantou e ele conseguiu o direito de visitar e de sair com as filhas uma vez por semana'', relatou ela.
Numa das visitas autorizadas pela Justiça Estadual, Abbaci teria sequestrado as filhas. ''As meninas eram proibidas de sair do Brasil pela Justiça brasileira. Mas no dia 31 de janeiro, elas saíram sem passaporte, sem autorização da mãe (que tinha a guarda) e com a roupa do corpo'', afirmou indignada.
Laís tem três mandados de busca e apreensão das meninas, que estão na Itália. ''A Justiça italiana já avisou que não fará nada para devolver as meninas, que foram repatriadas como italianas. A Mônica foi proibida de visitá-las e é obrigada a pagar pensão alimentícia para elas. Ela ainda tem o visto negado para entrar na Itália'', contou.
Mônica nada falou durante toda a audiência. Disse apenas hoje só tem um motivo para viver: a esperança de poder voltar a vê-las e poder ficar com a guarda delas novamente.
''O brasileiro é tratado lá fora como indigente do mundo. Essa é uma luta inacreditável'', comentou a advogada. Nos autos, Laís tem um CD com a voz do italiano relatando que pagou 75 euros para retirar as meninas do Brasil. ''Ele (Abbaci) pagou quem precisou e tirou-as daqui. Não temos mais em quem confiar. Até agora não havia procurado a imprensa porque os políticos diziam que os jornalistas iam estragar as negociações diplomáticas. Mas que negociação? Ninguém está fazendo nada''.
A deputada federal Clair da Flora Martins (PT-PR) se comprometeu a buscar uma solução para o problema de Mônica. Michela tem 11 anos e Marcella, 9. A gerente de projetos da Secretaria Nacional da Justiça, Mônica Oliveira, ficou emocionada com a história e prometeu auxiliar no que fosse possível.
''O governo brasileiro é fraco. Temos que lutar juntos para conseguirmos fazer justiça em casos graves como o que vocês relataram'', disse a representante do governo federal.
Laís e Mônica querem conseguir recursos para comprar uma passagem para Milão. Mônica pretende visitar as filhas, mesmo que esteja sendo impedida pela Justiça italiana. A passagem, no entanto, está fora do orçamento financeiro e familiar da curitibana. Custa US$ 900.

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