Mãe adotiva pede para que autor do rapto de Pedrinho apareça
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sábado, 16 de novembro de 2002
Fabiano Maisonnave<br> Agência Folha 
Goiânia - Vilma Martins Costa, 47 anos, mãe adotiva e agora principal suspeita do sequestro de Pedrinho, negou ontem, em Goiânia, envolvimento no crime e apelou para que o verdadeiro autor apareça.
O jovem foi levado de uma maternidade em Brasília há quase 17 anos e foi registrado como filho natural de Vilma e seu marido, Osvaldo Martins Borges. Anteontem, a polícia disse não ter dúvidas de que ela o sequestrou.
''À pessoa que me deu esse presente (Pedrinho), apelo para que telefone para a imprensa, para a polícia, faça alguma coisa, que não vai acontecer nada com você, que o crime já está prescrito'', disse Vilma a uma emissora de TV.
Chamado de ''subtração de menor'' no Código Penal, o crime de sequestro do bebê prescreveu há oito anos, mas os culpados ainda podem ser processados por registro falsificado do filho, com pena de dois a seis anos. O garoto foi registrado como sendo filho natural de Borges e Vilma, com o nome de Osvaldo Martins Borges Júnior.
Questionada sobre as evidências apresentadas pela Polícia Civil de Brasília, Vilma disse que não vai ''confessar um crime que não cometeu''. A acusação ''é uma forma de me pressionar para me crucificar para eu assumir um crime tão bárbaro como esse'', afirmou.
Nos trechos da entrevista que foram ao ar, Vilma não comentou a suposta confissão informal que teria feito a dois delegados que apuram o caso. Ontem, seu advogado, Ezízio Barbosa, 44, negou essa versão.
Segundo o delegado Hertz Andrade, na última quarta ela teria afirmado: ''Vou dizer que fui eu, mas não digo mais nada''.
Vilma concedeu a entrevista à emissora de TV na casa de um amigo, em Goiânia. Anteontem, ela, Pedrinho e suas quatro filhas saíram rapidamente da casa onde moram, num bairro de classe média da cidade. O objetivo era despistar o cerco de jornalistas à família.
''Eu não fugi em momento nenhum, eu sou hipertensa, estou atravessando um problema de saúde muito sério. Eu saí para descansar porque a minha porta virou um inferno, a minha casa virou um inferno'', disse Vilma.
Pedrinho saiu apenas onteme à tarde de casa. Acompanhado de dois amigos, foi passear em um shopping da cidade. Anteontem à noite, ele havia dito que sua mãe adotiva é inocente. ''Olhei no olho dela, ela olhou no meu, e eu acreditei.''
Segundo o advogado, a família deve passar o fim de semana em uma chácara perto de Goiânia.


