João Vitor, de seis anos, sabe bem que não é todo alimento que pode comer. E aprendeu, por exemplo, a agradecer quando ganha uma bala, mas só comê-la depois que o rótulo foi devidamente aprovado pela mãe, a fonoaudióloga Cyntia Tenório Pinto Pierro.
Isso porque ele tem alergia às proteínas do leite (caseína e albumina), do ovo, a um tipo de corante encontrado em alguns refrigerantes e balas, peixe e frutos do mar. Ao menor contato, já surgem placas vermelhas pelo corpo, além de vômito.
A primeira vez que teve essa reação, conta a mãe, foi aos quatro meses, quando ela tentou introduzir o leite de vaca, além da amamentação materna. E ele precisou passar por vários exames até descobrir as substâncias que tem alergia.
No começo, Cyntia conta que ficou assustada: ''Eu pensava, o que esse menino vai comer?'' O jeito foi adaptar receitas. Hoje, depois de dezenas de massas de bolo perdidas, ela já tem um arsenal de receitas apropriadas para alergia - do bolo que não vai nem leite, nem ovo, ao bife à milanesa molhado na água. ''Minhas amigas brincam que eu tenho que editar um livro com essas receitas''.
Outra medida adotada é ler minuciosamente o rótulo de produtos industrializados. ''Descobri que alguns produtos, que nem imaginava, ele podia comer, e não preciso recorrer sempre aos produtos para alérgicos, normalmente mais caros'', ensina. E nas festas e viagens, toda família já sabe, João Vitor tem o seu ''kit'' de alimentos.(C.P.)

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