Mãe acusa maternidade de omissão de socorro na morte do filho recém-nascido
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sexta-feira, 28 de janeiro de 2000
Por Jair Aceituno, especial para a AE 
Bauru, SP, 28 (AE) - A polícia de Bauru (SP) instaurou um inquérito para apurar supostas irregularidades no atendimento dispensado pela Maternidade Santa Isabel à parturiente Aparecida de Fátima Silva e seu filho recém-nascido. Aparecida acusa o hospital de omissão de socorro e registrou queixa no 3º Distrito Policial da cidade. Segundo o delegado Dinair José da Silva, a "denúncia é grave e merece apuração rigorosa". Os envolvidos no caso devem depor nos próximos dias. A direção da maternidade nega que a criança tenha morrida por deficiência no atendimento.
De acordo com Aparecida, logo após o nascimento do seu filho, a pediatra que o atendeu no berçário disse que ele teria necessidade de internção na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), porém, não havia vagas para atendimento de pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) na área especializada. Ainda segundo a mãe, sua família teria pedido a internação do bebê na ala particular justificando que encontraria uma forma de pagar as despesas, mas mesmo assim não foi atendida.
O diretor do hospital, Rodolfo Celeste, no ennato, disse que a criança não foi para a UTI porque existem só oito vagas e todas elas estavam ocupadas. Afirmou, ainda, que a mãe tinha seu parto classificado como de alto risco, por ser hipertensa e diabética, negando que a morte da criança tenha ocorrido por deficiência no atendimento. Problemas - A Maternidade Santa Isabel pertence ao Estado mas é administrada pela Associação Hospitalar de Bauru - uma entidade filantrópica que funciona em moldes parecidos com o das Santas Casas - e é a única da cidade a atender pacientes do SUS. No início do mês, pacientes denunciaram que os partos ali não são acompanhados por pediatras porque os profissionais da cidade não aceitam trabalhar com a remuneração de R$ 14,88 paga pelo sistema por parto acompanhado.
O Conselho da Condição Feminina de Bauru levou o problema ao promotor da Carlos Roberto Simioni, da Curadoria da Cidadania. Dez mulheres denunciam mau atendimento no hospital. Uma delas atribui a morte do filho, ocorrida no ano passado, à falta de um pediatra na hora do parto.


