Com um filho viciado em crack, jurado de morte e com tendências suicidas. O que fazer diante de uma situação como esta? Há cinco dias, uma mãe de Rolândia (Norte do Estado) decidiu acorrentar o caçula entre três filhos para não vê-lo morto, uma vez que não conseguiu nenhuma instituição na cidade que aceitasse interná-lo.
A família mora em um conjunto habitacional na periferia da cidade, que foi rebatizado de ''Iraque'' por causa dos constantes tiroteios e disputas envolvendo o tráfico e uso de drogas. Foi nesse ambiente hostil que o menino cresceu e se encontrou com o crack há quatro anos. A droga fez com que o jovem que aparece ainda garoto em uma fotografia na sala de casa feliz da vida vestindo um macacão de piloto de automóveis, foi se afundando num mundo de fantasia sem volta proporcionado pelo prazer ligeiro do entorpecente.
Desde então, a família também começou a sentir os efeitos da dependência do jovem. Foram muitas as provações. A mãe conta que já o salvou algumas vezes. ''Uma vez, encontramos ele com a corda no pescoço em cima de uma árvore'', recorda com tristeza.
Além disso, ela própria foi testemunha de uma tentativa de homicídio contra o filho dependente há alguns meses. Mais uma vez, a sorte salvou o rapaz. ''Ele correu, caiu no meio do mato e o cara chegou com a arma na cabeça dele. Apertou o gatilho várias vezes mas não saiu nenhum tiro'', contou o pai, lembrando que mais recentemente 16 criminosos da região foram até sua casa armados para consumar o assassinato. ''Por Deus meu filho não estava em casa'', recordou.
Diante da possibilidade de ser avisada da morte do caçula e sem conseguir internação no município ou qualquer outro tipo de ajuda para salvá-lo, a mãe decidiu acorrentá-lo. ''Dói ver ele com isso mas prefiro isso do que ter que chorar em cima de um caixão'', argumenta. ''Estou fazendo isso por amor. É duro escutar o barulho dele arrastando essa corrente, mas foi o que veio no meu coração de mãe'', comenta.
Sentado no sofá da sala, o jovem tem apenas pouco mais de três metros de corrente para se locomover. Uma extremidade foi amarrada à porta de um dos quartos e a outra fica no tornozelo direito do rapaz. ''Eu entendo ela'', diz ele sem muito ânimo. Visivelmente, o vício no crack já corroeu qualquer resto de auto-estima que ele ainda pudesse ter.
Sem condições de manter o filho acorrentado em casa, a mãe pede urgentemente que alguma instituição consiga uma vaga para ele. Quem puder ajudar pode ligar para a redação da FOLHA, no telefone (43) 3374-2175.

mockup