Madri nega pacto com Londres e Chile para libertar Pinochet
Madri nega pacto com Londres e Chile para libertar Pinochet3/Mar, 16:16 Por Monica Uriel Madri, 03 (AE-ANSA) - Madri negou hoje (03) que tenha havido um acordo político secreto com Londres e Santiago para libertar o ex- ditador chileno Augusto Pinochet, como denunciou a imprensa britânica. "Não houve pacto nenhum, em nenhum momento. A política da Espanha estava clara desde há mais de um ano", garantiu o chanceler Abel Matutes. Ele acrescentou que "a Espanha não precisava de nenhum pacto com ninguém, que não existiu, esteja claro, para levar a cabo a política que havíamos anunciado desde o primeiro dia". Os diários britânicos "The Daily Telegraph", "The Guardian" e "The Independent" garantiram hoje que a libertação de Pinochet foi fruto de uma intensa negociações diplomática entre Londres, Madri e Santiago. Segundo os jornais, que citam fontes diplomáticas, o secretário britânico do Exterior, Robin Cook, e seu colega espanhol, Matutes, concordaram num encontro no Rio de Janeiro em junho de 1999 que não desejavam que o ex-ditador morresse em seus respectivos países. A Espanha pretendia proteger suas relações com o Chile; a Grã- Bretanha não queria que falecesse em seu território um antigo aliado da Guerra das Malvinas; e Santiago temia que a morte de Pinochet em Londres o convertesse num mártir da extrema-direita, segundo a imprensa britânica. Madri se recusou ontem a apresentar um recurso preparado pelo juiz Baltazar Garzón para impedir a libertação de Pinochet, já que uma impugnação da decisão do secretário do Interior britânico, Jack Straw, "deterioraria sensivelmente nossas relações com o Chile e colocaria em risco sua transição democrática", explicou Matutes. Josep Pique, porta-voz do primeiro-ministro espanhol, Jose Maria Aznar, reforçou o desmentido de Matutes, garantindo que "em nenhum momento esse tema esteve sujeito a um pacto entre os três governos. Cada um fez o que tinha de fazer". Madri "limitou-se a cumprir escrupulosamente seu compromisso de respeitar a decisão que Straw adotou livremente a partir de uma perspectiva humanitária", insistiu Pique. Entretanto, Manuel Fraga, dirigente histórico do Partido Popular (PP), de Aznar, a quem "apadrinhou" para que chegasse à chefia do governo, expressou: "Suponho que houve conversações diplomáticas entre os governos. Para isso que servem os diplomatas". Fraga, que foi ministro do ditador Francisco Franco, preside atualmente a Junta da Galícia, e foi desde o início contra um julgamento de Pinochet na Espanha. A mesma posição teve o ex-primeiro-ministro socialista Felipe González, que defendia que o ex-ditador chileno deveria ser julgado em seu próprio país. As principais forças de oposição, o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), e a Esquerda Unida (IU), insistiram hoje nas críticas à atitude do governo, a quem acusaram de ter agido como "a defesa de Pinochet".





