Nova York, 10 (AE-AP) - Sob o título "As lutas da Colômbia, e como podemos ajudá-los", o diário The New York Times publica hoje (10) em sua página de opinião um extenso artigo assinado pela secretária de Estado Madeleine Albright.
Produzido em Washington, o artigo indica que "a morte de cinco militares americanos e dois colombianos em um acidente aéreo enquanto cumpriam uma missão anti-narcóticos na Colômbia no mês passado sublinha nosso interesse na nação mais atribulada da América do Sul.
"Os narcotraficantes colombianos produzem mais de 80% da cocaína mundial e uma proporção crescente da heroína que chega a nossas praias. Duas organizações guerrilheiras - Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, Farc, e Exército de Libertação Nacional, ELN - estão em guerra contra o governo e controlam uma porção significativa do território nacional.
"As guerrilhas enfrentam grupos paramilitares direitistas que
como as guerrilhas, abusam regularmente dos direitos humanos. Tanto as guerrilhas quanto os paramilitares usam o tráfico de narcóticos para financiar suas operações. Os esforços do presidente da Colômbia, Andrés Pastrana, para negociar uma paz foram emperrados. A delinquência é rompante. E a economia da nação, por muito tempo uma estrela regional, sofre sua pior recessão desde os anos 30.
"Os problemas da Colômbia se estendem além de suas fronteiras e têm implicações para a segurança e estabilidade regionais. Para reverter a situação, o presidente Pastrana deve empreender uma gestão ampla. Necessita - e merece - o apoio internacional que enfoque além da interdição e erradicação do narcotráfico.
"Tal como entende o presidente Pastrana, os objetivos de paz, o império da lei, prosperidade e respeito aos direitos humanos não são estranhos uns aos outros, mas se reforçam entre si. O progresso até o alcance de um deles fará mais fácil o alcance dos demais.
"Existem, por exemplo, muitas dimensões na busca da paz. Depois de 38 anos de lutas, está claro que é improvável um desenlace militar decisivo. O presidente Pastrana agiu corretamente ao iniciar as conversações; a incógnita reside em se poderá conseguir uma combinação de pressão e de incentivos que faça com que as guerrilhas respondam.
"As gestões de paz devem ser conduzidas pelos próprios colombianos. O presidente Pastrana tem valentemente corrido riscos neste exercício, e cabe a ele decidir que pressão e que incentivos são necessários. Mas os Estados Unidos e outros amigos da Colômbia devem estar prontos a ajudar. O presidente Clinton já se comprometeu a dar nosso respaldo em carta ao presidente Pastrana em 20 de julho.
"Os esforços para erradicar o narcotráfico estão vinculados à busca da paz por causa do envolvimento rebelde e paramilitar no negócio da droga. E como temos visto na Bolívia e Peru, o êxito na batalha antidrogas requer uma série de estratégias, inclusive a erradicação, interdição, substituição de cultivos, desenvolvimento econômico e reforma da justiça penal.
"Aqui também o governo colombiano deve assumir a vanguarda, mas outros também devem assumir sua cota. Os Estados Unidos têm sido um forte sustentáculo da luta colombiana contra o narcotráfico, coisa que nos corresponde já que nossa demanda por drogas é uma das maiores causas do problema.
"A Polícia Nacional da Colômbia está borrifando e apreendendo quantidades impressionantes de cocaína e heroína. Mas a produção de coca está nas alturas, as organizações das drogas estão bem armadas e financiadas, e o sistema judiciário colombiano está tomado pela corrupção, recursos inadequados e um atraso de processamento de 3,5 milhões de casos. O êxito não virá rapidamente, mas é possível conseguir progressos se o governo conta com o respaldo internacional.
"A proteção dos direitos humanos, da mesma forma, está entrelaçada com outros objetivos. A maioria das vítimas do conflito da Colômbia tem sido civis. Em sua mais recente ofensiva, as Farc atacaram indiscriminadamente aldeões e empregaram crianças de até nove anos.
"O grupo guerrilheiro ainda se recusa a dar conta da sorte de três missionários americanos sequestrados no Panamá em 1993, e em março suas forças assassinaram três americanos que estavam trabalhando com grupos indígenas locais. Além do mais, os grupos paramilitares recentemente intensificaram seus ataques contra ativistas de direitos humanos e políticos.
"No passado, os militares colombianos desperdiçaram apoio ao não impedir os abusos de direitos humanos tanto por parte de suas próprias forças como por parte dos grupos paramilitares. Os Estados Unidos têm fixado procedimentos estritos na Colômbia, como em outras partes, para verificar que indivíduos e unidades que recebam assistência e treinamento americanos não estejam envolvidos em abusos dos direitos humanos, e que os responsáveis por abusos passados sejam levados diante da Justiça.
"Sob a administração do presidente Pastrana, os militares vêm melhorando dramaticamente seu desemprenho, mas continuamos pressionando a favor de maiores avanços, em especial para assegurar que quaisquer vínculos remanescentes entre comandantes militares e paramilitares sejam quebrados.
"Os problemas econômicos da Colômbia estão vinculados com o baixo preço de seus produtos básicos e dos elevados déficits, mas também são o resultado do crime e do conflito (bélico) Ao contrário, o desenvolvimento econômico e a criação de empregos legítimos constituem as melhores maneiras de impedir que os cidadãos violem as leis e apoiem os movimentos radicais.
"Desta forma, qualquer nação interessada em ajudar a Colômbia a combater as drogas ou alcançar a paz estará interessada em ajudá-la a recuperar-se economicamente. Os Estados Unidos têm trabalhado com o Fundo Monetário Internacional (FMI), o Banco Mundial e outros sócios para assegurar que a assistência necessária esteja disponível.
"Hoje, o subsecretário de Estado, Thomas Pickering, está em Bogotá para encontrar-se com o presidente Pastrana e transmitir-lhe o apoio dos Estados Unidos aos esforços da Colômbia para avançar em todas essas frentes. Depois, ele seguirá à Caracas, Venezuela, como parte de nosso esforço para assegurarmos forte apoio regional para as políticas que busquem a paz, afirmem o império da lei e construam prosperidade.
"Os colombianos estão embarcando em uma vital prova de democracia, viagem que deve ser feita por eles mesmos. Mas devem saber que compreendemos as muitas dimensões e a natureza dos problemas que enfrentam, e que faremos tudo para que possamos ajudá-los.

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