Madeireiros põem Itatiaia em risco
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segunda-feira, 22 de julho de 2002
Roberta Pennafort<br> Agência Estado 
Rio - A ação dos madeireiros está colocando em risco o Parque Nacional de Itatiaia, com 30 mil hectares de vegetação preservada, entre os estados do RJ, São Paulo e Minas Gerais. Ontem foi controlado mais um incêndio criminoso, que destruiu 70 hectares, provocado por grupos que retiram madeira do tipo candeia para fabricação de cercas. Eles agem em represália à ação dos fiscais da reserva, que coibem a extração ilegal. Este foi o segundo incêndio no parque este mês.
Preocupado, o diretor do parque, Léo Nascimento, enviou relatório ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), em Brasília, pedindo que a Polícia Federal investigue as quadrilhas que agem na região. ''Isso é caso de polícia. Se ninguém investigar e prender essa gente, eles vão acabar com o parque'', afirmou Nascimento.
O incêndio anterior, dia 6 de junho, quando foram destruídos dez hectares, foi na localidade de Aiuruoca, perto da divisa com Minas Gerais.
Léo Nascimento contou que os madeireiros andam armados e costumam ameaçar os quatro fiscais da reserva e os 34 integrantes da brigada do sistema de prevenção a incêndios do Ibama (Prev-Fogo). Um deles chegou a ser baleado. Os infratores retiram a candeia e vendem a dúzia do tronco por R$ 60. Há duas semanas, foi apreendida uma tonelada da madeira dentro da mata, graças a uma denúncia anônima.
Dificuldades - O incêndio de domingo foi na região de Serra Negra, perto do município de Visconde de Mauá, na parte alta do parque (a 2,4 mil metros de altitude), de difícil acesso. Para debelar as chamas, os bombeiros tiveram de andar por quatro horas dentro da mata. Dois deles chegaram a passar mal por causa do esforço e das baixas temperaturas à noite, segundo Nascimento, cai abaixo de zero. O vento forte e a falta de chuvas (não chove há dois meses) propiciaram combustão mais rápida.
Ontem, o diretor da reserva aguardava a liberação de um helicóptero do Ibama para sobrevoar a mata em busca de outros focos de fogo. Os criminosos costumam agir nos fins de semana, quando é mais difícil mobilizar as equipes de bombeiros. ''O fogo é a arma deles, usada para nos intimidar. Não somos policiais, somos defensores da natureza. Não adianta termos 500 fiscais sem investigar as causas do que está acontecendo'', afirmou o diretor da reserva, que não sabe para quem as quadrilhas trabalham.
No ano passado dois estudantes paulistas de 14 e 22 anos começaram uma fogueira que acabou destruindo 100 hectares da reserva, na região das Prateleiras. Além dos incêndios, o parque sofre ainda com a ação de palmiteiros, que se concentram na parte mais baixa.


