Brasília- Investigações feitas pela Polícia Federal comprovaram que os grupos que atuam na comercialização ilegal de mogno na Amazônia, empregam os mesmos métodos utilizados pelo narcotráfico. Além disso, a movimentação financeira é superior ao tráfico de drogas em algumas regiões e o custo operacional inferior ao do crime organizado. ''Não estamos tratando com pequenos infratores, mas com uma máfia'', afirma o coordenador da área de crimes ambientais da PF, delegado Jorge Barbosa Pontes.
O problema ganhou uma maior proporção a partir da decisão do governo de impedir a extração, exportação e transporte de mogno, a chamada moratória, renovada há um mês pelo Ministério do Meio Ambiente, que organizou uma comissão para estudar a regulamentação de uma nova lei sobre o assunto. Atualmente, a madeira só pode ser explorada nos projetos de manejo autorizados pelo Ibama.
Mas foi a partir do ano passado, com a proibição, que a PF e o Ibama registraram um aumento na extração ilegal, principalmente no sul e sudeste do Pará, onde está formado o que fiscais e policiais passaram a chamar de ''Região do Meio'', e onde há uma grande concentração da madeira. E é justamente lá, entre as cidades de Uruará, Altamira, São Félix do Xingú, Redenção e Tucumã, que a máfia está agindo, conforme levantamento do serviço de inteligência da PF.
''A máfia está muito organizada, mas são poucos os grupos que estão atuando'', afirma o delegado Pontes. Pelas investigações feitas até agora pela PF, são cinco pessoas que comandam toda a extração ilegal, principalmente no Pará, com métodos semelhantes ao do crime organizado. ''Eles usam laranjas, costumam também utilizar a violência, movimentam grandes fortunas e coagem os pequenos. Na verdade, são barões que estão encastelados e protegidos por uma sucessão de pessoas.''

mockup