O Greenpeace denunciou ontem ao Ministério Público Federal que madeireiros estão retirando ilegalmente mogno das terras dos índios caiapó, no Pará. A entidade sobrevoou a área e entregou fotos e imagens à subprocuradora-geral Ela Castilho, integrante da Câmara Técnica de Índios e Minorias. A entidade suspeita que autorizações concedidas a Planos de Manejo Florestal (PMF) para transporte da madeira estejam sendo usadas para acobertar o corte na reserva indígena.
A subprocuradora prometeu investigar o caso e pedir apoio da Polícia Federal e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama). Ela considera necessária a revisão dos 13 planos de manejo autorizados a explorar comercialmente o mogno no Pará. ''É preciso ver até que ponto essas madeireiras estão cumprindo as condições previstas para o manejo florestal'', afirmou Ela. ''Se não estiverem atendendo as condições, seria o caso de cassar as autorizações.''
O coordenador da campanha da Amazônia do Greenpeace, Paulo Adário, diz que a entidade quer a identificação das madeireiras envolvidas na retirada ilegal da madeira da área caiapó. Ele lembra que algumas empresas já foram multadas, no ano passado, por exploração ilegal de mogno. Adário também pediu que o Ministério Público seja o negociador de estudos de alternativas econômicas para evitar que os índios permitam o corte do mogno em suas terras.
''A extensão da área de retirada ilegal de mogno mostra que ainda vivemos uma triste realidade'', afirmou Adário. As imagens e fotos feitas durante o sobrevôo mostram madeira derrubada, caminhões e uma estrada. Estima-se que a área derrubada ultrapasse 20 mil quilômetros quadrados. Embora apenas 13 planos de manejo estejam autorizados a explorar o mogno, o ambientalista afirmou que as empresas se beneficiam da fiscalização precária e partem para a retirada ilegal por causa do valor comercial da madeira.
A maior parte do mogno na Amazônia está concentrado na chamada Terra do Meio do Pará, uma área de 8,3 milhões de hectares entre os rios Xingu e Tapajós, cercada por reservas indígenas. Cada vez mais raro, o metro cúbico da madeira no mercado internacional chega a US$ 1,6 mil, de acordo com o Greenpeace. Por isso, a entidade está iniciando uma campanha mundial para alertar os consumidores para os riscos de colaborar com a destruição de florestas primárias.
Uma campanha brasileira mostrará que a Terra do Meio abriga espécies em extinção, como onças, jacarés-açu, macacos-aranha e tamanduás-bandeira. O mogno retirado da Amazônia, de acordo com Paulo Adário, abastece o mercado interno, mas o destino da maior parte da madeira é a exportação. ''São consumidores os Estados Unidos, a Inglaterra e a República Dominicana'', informou.

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