Dois madeireiros foram encontrados mortos próximo ao Rio Quixito, afluente do Rio Javari, dentro da reserva indígena Vale do Javari (1.115 km a oeste de Manaus). Os corpos de Antonio Mariano de Souza, 55 anos, e de seu sobrinho José Carlos Almeida Mariano, 23, foram encontrados na sexta-feira com várias marcas e parte das cabeças esmagadas, segundo o coordenador da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), Manoel Silva Lima.
Os corpos chegaram à sede de Atalaia do Norte, que fica a 100 km da reserva, por volta das 24 horas de sexta-feira. Uma equipe da Polícia Federal viajou para a área este final de semana. Uma terceira pessoa estaria desaparecida. A PF ainda não sabe as causas do conflito.
Um grupo de madeireiros saiu do município de Atalaia do Norte (AM), no sábado, para tentar encontrar o terceiro corpo. Os madeireiros da região acusam índios corubos, conhecidos como caceteiros, pelas mortes. ‘‘Eles têm a tradição de executar seus inimigos com golpes na cabeça’’, disse Lima.
Na reserva Vale do Javari vivem índios das etnias corubo, marubo, canamari, matis, culina e maiuruna, além de índios isolados. São cerca de 3.200 índios, vivendo em 22 comunidades, nos 8,3 milhões de km2 da área, segundo o Conselho Indígena do Vale do Javari (Civaja).
Os próprios corubos tiveram primeiro contato com a Fundação Nacional do Índio (Funai) há cerca de três anos. As relações entre os madeireiros e índios na região são tensas há vários anos, segundo Lima.

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