Arquivo FolhaMelhor assimNa extração da madeira da Amazônia, já é bom negócio trabalhar dentro da lei e de forma sustentávelA pressão internacional sobre o mercado de madeiras tropicais e a pressão interna dos órgãos governamentais sobre a extração ilegal de madeiras da Amazônia começa a gerar experiências positivas. Algumas empresas e entidades não-governamentais conseguiram por em prática planos racionais de manejo florestal, que visam a garantir a sustentabilidade ambiental e alcançar a viabilidade econômica. Se continuarem a dar certo - como até agora - os pioneiros divulgarão seus sistemas de exploração com a ajuda do Ibama, através de um programa de apoio a iniciativas promissoras.
‘‘O caminho para a sustentabilidade da exploração florestal não depende só da continuidade e do aumento da eficiência da fiscalização, mas também da criação de uma agenda positiva’’, diz Eduardo Martins, presidente do Ibama. Por agenda positiva, ele entende o desenvolvimento de metodologias para reduzir o desperdício e agregar valor aos produtos madeireiros, além de preparar a mão-de-obra. O Ibama já aumentou a fiscalização e iniciou o programa de apoio às iniciativas promissoras, mas Martins admite que falta investir mais na agenda positiva.
IncentivosO programa de apoio já conta com recursos da ordem de US$ 7 milhões, segundo seu coordenador no Ibama, Antônio Carlos Hummel. O dinheiro vem do Programa Piloto para a Proteção de Florestas Tropicais, o famoso PP-G7, negociado durante a Rio-92, planejado e refeito diversas vezes entre 1993 e 1995 e finalmente desembaraçado em 1996. Os recursos serão aplicados ao longo de cinco anos, porém os pioneiros da exploração racional da madeira não receberão dinheiro vivo, nem incentivos fiscais. Eles serão parceiros do Ibama em cursos de treinamento para engenheiros florestais e outros profissionais envolvidos na extração madeireira, que, por sua vez, deverão reproduzir as boas técnicas em outras localidades da Amazônia.
A recompensa pelo esforço em trabalhar dentro da legalidade e de forma sustentável terá de ser obtida pelas próprias madeireiras, junto ao mercado. Mas não é uma recompensa inatingível: só pelo fato de ter obtido a certificação internacional de manejo, a empresa Mil Florestal, de Itacoatiara (AM), já obteve 15% a mais no preço de suas madeiras, junto a um importador europeu. ‘‘Eles pagaram a mais por conta própria, só pela certificação, sem que tivéssemos pedido nada’’, conta Tim van Eldik, da Madeireira Mil.

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