Carlos Mendes
Agência Estado
De Belém
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) já arrecadou R$ 3,5 milhões em apenas dois meses na aplicação de multas contra as empresas madeireiras que estão devastando as florestas do Pará. Somente uma dessas madeireiras, a Cella, terá de pagar R$ 700 mil por extração ilegal de mogno. Além das multas, o Ibama passou a adotar uma nova técnica para combater a extração e o transporte clandestino de madeira no Estado: a explosão, com dinamite, de pontes construídas sobre igarapés pelos madeireiros para facilitar a passagem de caminhões e tratores que vão recolher o que foi derrubado.
O trabalho do Ibama é feito com a ajuda de homens do Exército. A ação está concentrada na região oeste paraense, entre as localidades de Cachimbo e Castelo dos Sonhos. A área, rica em mogno e cedro, é quase do tamanho da Europa. Nela atuam, segundo a Polícia Federal, 37 madeireiras do Pará e Mato Grosso.
O mogno, no mercado internacional, alcança US$ 1.600 o metro cúbico. Em apenas um ano, segundo levantamento da Associação dos Exportadores de Madeira do Pará (Aimex), cerca de US$ 380 milhões em madeira saem clandestinamente do Estado para países asiáticos, Europa e Estados Unidos.
Segundo a direção do Ibama em Santarém, com a explosão das pontes, construídas sobre igarapés represados por toras de madeira e aterro – o que impede o caminho dos peixes até os rios para a reprodução e afeta a cadeia alimentar da população ribeirinha –, fica impossível retirar a madeira dos locais de extração.
A Procuradoria da República em Santarém move sete ações na Justiça Federal contra empresas madeireiras acusadas de extração de madeira sem autorização do Ibama. Além da região de Castelo dos Sonhos e Cachimbo, a retirada ilegal, segundo o procurador Felício Pontes Júnior, acontece nos municípios de Uruará e Senador José Porfírio, na área cortada pela rodovia Transamazônica.
‘‘Há empresas que simplesmente falsificam as guias de manejo. Elas, algumas vezes, têm autorização do Ibama para extrair madeira numa área, mas mudam para outra falsificando a papelada’’, diz o procurador. Para ele, as madeireiras cometem um outro crime: entram em reservas indígenas para cortar mogno.
E fazem isso utilizando os próprios índios, a quem pagam quantias irrisórias. Para extrair mogno de uma reserva caiapó, em Altamira, uma das madeireiras processadas na Justiça chegava a oferecer R$ 18,00 aos índios por cada tora cortada. A mesma tora é vendida por R$ 750,00.
Em conjunto com o Ibama, Polícia Federal e Exército, o Ministério Público Federal decidiu, ainda segundo o procurador, adotar uma nova postura para coibir com maior rigor o contrabando de madeira, a agressão ao meio ambiente e as quadrilhas que falsificam documentos.
‘‘Toda a madeira que for apreendida não mais será leiloada, porque isso legitima o crime, ao invés de combatê-lo. Estamos doando às comunidades pobres do Pará essa madeira, para que elas construam casas, postos de saúde e escolas. Damos uma finalidade social a essa madeira.’’

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