Madeira diz que pressão popular impedirá teto maior que R$ 11,5 mil
Madeira diz que pressão popular impedirá teto maior que R$ 11,5 mil8/Mar, 18:13 Por Tânia Monteiro (enviada especial) Lisboa, 08 (AE) - O líder do governo na Câmara, deputado Arnaldo Madeira (PSDB-SP), acredita que a pressão popular, em ano eleitoral, será mais forte do que a pressão parlamentar e que, por isso, o Congresso vai definir um teto salarial do funcionalismo em R$ 11,5 mil sem qualquer acréscimo. Pelo acordo firmado entre os três Poderes 140 parlamentares poderiam ser beneficiados com o acúmulo de aposentadoria e salário, transformando seus vencimentos em R$ 23 mil. "Acho difícil aprovar o teto duplex", declarou, acrescentando que a pressão das urnas vai ser mais forte do que a dos congressistas. Na sua opinião, se há 140 parlamentares querendo a manutenção do teto duplex, há os demais que votam contra - são mais de 360, ou seja, a maioria que derrubaria a proposta. Segundo o líder, no valor de R$ 11,5 mil do teto só não estariam incluídas as verbas indenizatórias inerentes ao cargo parlamentar, como auxílio-moradia, telefones e passagens aéreas. Mas todas as vantagens pessoais teriam de estar incluídas. "Teto é teto e esse é o espírito da emenda, que incorporava tudo", declarou. O deputado Arnaldo Madeira disse que o Judiciário não deve ter direito ao auxílio-moradia. "Deputado e senador é que moram em uma cidade e trabalham em outra e por isso precisam do auxílio-moradia", disse ele. "Juiz, não. Ele mora na mesma cidade em que trabalha", completou. Para o líder, o melhor seria que o Congresso vendesse todos os apartamentos funcionais que possui e se limitasse a pagar essa ajuda de custo aos parlamentares, dentro de um limite pré-estabelecido. O presidente do PSDB, senador Teotônio Vilela (AL), endossou o discurso de Madeira reiterando que os ministros dos tribunais já moram em apartamentos funcionais ou adquiriram os imóveis. O senador acrescentou que, no Congresso, quem mora em apartamento da Câmara ou do Senado não recebe auxílio-moradia. Teotônio e Madeira integram a comitiva que acompanha o presidente Fernando Henrique Cardoso em sua viagem a Portugal. Embora reconheça que a discussão é polêmica, os dois pedem condições políticas para a definição do teto. Para Madeira, as controvérsias que têm surgido são naturais e ele acredita no entendimento.Lembrou, entretanto, que o presidente Fernando Henrique queria o teto de R$ 10,8 mil e que R$ 11,5 mil já foi uma concessão. "Tenho impressão de que neste debate vai prevalecer o sentimento da opinião pública e ela é contrária a esse teto com penduricalhos", advertiu o líder do governo. De acordo com ele, as lideranças dos partidos estarão, a partir da semana que vem, buscando uma solução para esse impasse porque, de um lado, é preciso limitar o salário do funcionalismo público para acabar com os absurdos e, de outro, é preciso ver como serão definidas as estruturas dos salários no Judiciário e no Legislativo. "Vamos estar conversando sobre o assunto exaustivamente na próxima semana." MÍNIMO - Quanto ao reajuste do mínimo, o deputado Arnaldo Madeira acredita que também a opinião pública será sensível aos argumentos do governo, quando for definido o novo valor do salário mínimo. "Na hora que tivermos com todos os dados e argumentos fechados sobre a questão para anunciá-lo a sociedade reconhecerá e concordará com os argumentos." Madeira não quis fixar patamares para o valor do mínimo, nem data para o seu anúncio. "Não trabalhamos com banda", disse, acrescentando que o assunto ficará na pauta durante um mês. De acordo com o deputado, se o governo anunciar um valor agora surgirão novas pressões para aumentá-lo, o que seria inviável. O senador Teotônio, por sua vez, quer pelo menos R$ 160 para o salário mínimo. "Mas vamos continuar defendendo que seja o maior possível."





