Brasília, 05 (AE) - O líder do governo na Câmara, Arnaldo Madeira (PSDB-SP), alertou hoje que o Orçamento a ser votado pelo Congresso para vigorar este ano poderá ter os números artificialmente inflados pelos parlamentares. "No ano passado, o Congresso aumentou a receita com a estimativa de arrecadação do Imposto Verde, que não foi criado, e, este ano, é muito provável que aconteça a mesma coisa, com os congressistas alegando que a receita prevista pelo governo está subestimada", disse o deputado.
Madeira referiu-se à tentativa do PMDB de garantir recursos orçamentários para a pasta dos Transportes, controlada pelo partido. O chamado Imposto Verde seria cobrado sobre a venda de gasolina, com a a receita vinculada para a recuperação de estradas. Com a inclusão da previsão deste imposto, o então relator do Orçamento, senador Ramez Tebet (PMDB-RS), acatou diversas emendas para a área de infra-estrutura.
O Orçamento deste ano só poderá ser votado depois que o Congresso aprovar a emenda constitucional que prorroga a vigência do Fundo de Estabilização Fiscal (FEF), o que só deve ocorrer no fim de fevereiro. Caso a aprovação do FEF atrase, o presidente Fernando Henrique Cardoso deverá assinar um decreto liberando apenas o equivalente a um duodécimo do Orçamento de 1999 para as despesas mensais da administração.