São Paulo, 06 (AE) - O líder do governo na Câmara, deputado Arnaldo Madeira (PSDB-SP), criticou hoje os governadores de oposição que estiveram reunidos ontem, no Rio Grande do Sul. Madeira defendeu a decisão do presidente Fernando Henrique Carsoso de cancelar o encontro com os governadores da oposição, previsto para a próxima terça-feira, por considerar a nota emitida após o encontro radical e deseducada. "Os governadores, quando assumiram, sabiam das dificuldades que iriam enfrentar. Não querem ter a responsabilidade de ajustar as contas públicas de seus Estados. Querem moleza. Querem repassar para a União apenas 5%, enquanto continuarão a aplicar 85% do que arrecadam com o funcionalismo público", afirmou Madeira.
Segundo ele, a nota oficial dos governadores foi radical e mostrou um comportamento irresponsável, justamente no momento que o País mais necessita de tranquilidade para resolver seus problemas. "A renegociação da dívida deu para os Estados amplas condições de superarem as dificuldades, com prazo de 30 anos e juros de 6% ao ano", afirmou. De acordo com Madeira, há quatro anos o "Estado de São Paulo arregaçou as mangas e enfrentou o problema das contas públicas. Outros Estados não seguiram o exemplo e estão em dificuldades agora".
O líder governista comentou que o Espírito Santo está indo na mesma trilha de São Paulo. "Por que os outros não podem fazê-lo, com seus governadores querendo criar uma crise institucional". Em sua análise, Madeira enfatizou que os governadores recém-empossados sabiam perfeitamente das situações de seus Estados antes de assumirem. "Agora agem irresponsavelmente. Querem moleza para governar. Não querem assumir a responsabilidade de resolverem o sério problema de suas contas públicas. A nota que emitiram foi ruim para o País", afirmou.
O deputado lembrou que o porta-voz da presidência da República havia admitido, antes do encontro dos governadores no Sul, que ainda havia espaço para a negociação, que poderia até envolver a Lei Kandir ou alguns repasses de recursos. "Mas parece que não entenderam. Querem botar fogo no circo. Não é esse comportamento que a sociedade espera deles. O momento é de conversa, não de geração de problemas".

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