A preguiça é o atributo de dois personagens importantes da moderna ficção brasileira. Eles nada têm de baianos. São eles Jeca Tatu e Macunaíma, ambos criados por escritores paulistas. Monteiro Lobato referiu-se pela primeira vez a seu Jeca em texto de 1914.
Com preguiça de arar a terra, Jeca Tatu fertilizava o solo com queimadas. Macunaíma, criado em 1928 por Mário de Andrade, não era apenas um militante da própria indolência.
Na história, a preguiça sempre foi atribuída pelos dominadores aos dominados, como forma de legitimar seu poder. Para os portugueses do século 16, trazer o índio à civilização significava ensinar a fé e o princípio do trabalho.
No século 19, foi em parte com base na suposta pedagogia do trabalho que os europeus fatiaram o continente africano para expandir seus impérios. O negro, ‘‘preguiçoso , progrediria se aprendesse a trabalhar com o branco. No mesmo período, ‘‘ensinar o trabalho às classes humildes, como forma de disciplinar a pobreza, era algo comum a moralistas e filántropos nascidos nas elites na Europa e Estados Unidos.
Há 30 anos, Walter W. Rostow, conselheiro da Casa Branca, teorizava que a indolência ligava-se aos climas tropicais. Só nos climas temperados, dizia, produzia-se tecnologia capaz de otimizar o trabalho.

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