Biarritz - O G7, grupo de países mais ricos do mundo, prometeu nesta segunda-feira (26) liberar em caráter de urgência US$ 20 milhões, o equivalente a R$ 83 milhões, para enviar aviões-tanque para combater os incêndios na Amazônia. O presidente da França, Emmanuel Macron, cogitou a conveniência de conferir um status internacional à floresta caso os líderes da região tomem decisões prejudiciais ao planeta. A fala de Macron é uma clara alusão ao presidente Jair Bolsonaro, que o acusou de ter uma "mentalidade colonialista" por exigir uma ação internacional a respeito da região.

Associações e ONGs (organizações não governamentais) levantaram a questão de definir um status internacional para a Amazônia. "Este não é o quadro da iniciativa que estamos tomando, mas é uma questão real que se impõe se um Estado soberano tomar medidas concretas que obviamente se opõem ao interesse de todo o planeta", disse Mácron.

Segundo o presidente francês, esse status "é um caminho que permanece aberto e continuará a florescer nos próximos meses e anos". "A questão é tal no plano climático que não podemos dizer 'Este é um problema só meu'. É o mesmo para aqueles que têm espaços glaciais em seu território ou que impactam o mundo inteiro." Ele garantiu, no entanto, que construiu a iniciativa que será proposta às Nações Unidas "para respeitar a soberania de cada país".

O G7 também decidiu desbloquear uma ajuda de urgência de US$ 20 milhões, o equivalente a cerca de R$ 83 milhões, para combater os incêndios florestais na Amazônia. A verba será usada principalmente para o envio de aviões para apagar o fogo na região, anunciaram os presidentes da França, Emmanuel Macron, e do Chile, Sebastián Piñera, em Biarritz, no litoral francês.

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, afirmou que considera "excelente" e "muito bem-vinda" a ajuda financeira oferecida pelo G7 para combate aos incêndios na Amazônia, de cerca de R$ 91 milhões, após ter sido questionado por jornalistas, depois de ter feito uma apresentação em evento do Secovi-SP. Salles, contudo, aproveitou a pergunta para lembrar que o Brasil tem um crédito de US$ 2,5 bilhões para receber, referente a uma fatura do Protocolo de Kyoto.

"Acho excelente a medida, muito bem-vinda, e queria aproveitar, inclusive, e lembrar que desde 2005 o Brasil tem cerca de 250 milhões de toneladas de gás carbono, do MDL (Mecanismo de Desenvolvimento Limpo), para receber, o que gera receita de US$ 2,5 bilhões. Essa é uma medida que nós instigamos os países, para que nos ajude a quitar essa fatura do Protocolo de Kyoto, um crédito de US$ 2,5 bilhões seria muito bem-vindo", disse.

Salles disse que quem vai decidir como usar os recursos para o Brasil serão o povo e o governo brasileiros. Quando questionado sobre se o governo faz alguma autocrítica em relação à questão da Amazônia, o ministro ressaltou que a quantidade de queimadas tem oscilado ano a ano. "Neste ano aumentou muito, infelizmente, com o clima seco e o tempo quente. No ano passado e retrasado foram menores e em 2016 tivemos números próximos ao deste ano. A série histórica oscila de acordo com o clima e o tempo", afirmou.

Para a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, por causa das proporções gigantescas da Amazônia, o Brasil não terá condições de ter o melhor sistema de fiscalização do mundo. "O Brasil está trabalhando e vai trabalhar para fazer uma fiscalização cada vez melhor. Não será a melhor do mundo pelas dimensões", disse ela em São Paulo, ao ser questionada sobre a preocupação do setor do agronegócio com as queimadas. "Olha o tamanho da Amazônia, é como se tivessem 48 países da Europa na nossa região amazônica", comentou.

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