'Maconha pode acender a faísca da psicose'
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quarta-feira, 07 de agosto de 2002
Agência EFE 
Santander - O número de jovens que apresenta algum tipo de doença mental aumentou nos últimos anos devido ao consumo de drogas, e a maconha é a droga mais suscetível ''de acender a faísca do surto psicótico'', na opinião do psiquiatra espanhol Carlos Castilla del Pino.
Castilla del Pino afirma que essa droga ''não é inofensiva nem banal'', já que outras como a heroína ou a cocaína ''não produzem tantos transtornos mentais'', embora estas ''criem uma rápida dependência''.
Doutor em Medicina, catedrático em Psiquiatria e escritor, Castilla del Pino ministra esta semana em Santander um curso intitulado ''Delirar, delírio, delirante: o problema central da psicopatologia'' na Universidade Internacional Menéndez Pelayo (UIMP).
Quando uma doença mental se desenvolve em um consumidor de drogas diz Castilla del Pino ''muitas vezes é difícil diferenciar se se trata de um surto esquizofrênico ou delirante ou se se deve aos efeitos dos tóxicos''.
O especialista afirmou que há pessoas ''que têm maior tendência a delirar'', como são as que vivem sós, ''mas não porque vivam sós, mas porque buscaram a solidão como refúgio ao não encontrar possibilidade de amar e ser amado ou de ter amigos''.
Outro grupo suscetível de sofrer este transtorno mental são as pessoas ''que desejaram triunfar na vida''. Nesse sentido, afirmou que ''todos queremos ser alguém, que nos reconheçam, e há muita gente que não consegue e que não suporta''. Essa ''enorme frustração de toda uma vida'' se compensa com o delírio, que ''é uma espécie de bastão'' que sustenta o sujeito que prefere delirar a ter que reconhecer seu fracasso.
Os remédios que existem atualmente são capazes ''de devolver o sujeito à razão'', algo positivo, diz Castilla del Pino, mas apresentam o problema de que ''quando tiramos o delírio no sujeito'' pode aparecer uma depressão, ''porque quando se lhe devolve a seu ser não encontra nenhuma graça''.
Em sua opinião, as crises de angústia, ''em forma também de fobia'', e a depressão são as doenças mentais ''que mais cresceram'' nos últimos anos, mas ''pode ser'' disse que o que acontece é ''que as pessoas se consultam mais e por isso nos parece que aumentou o número de depressivos''.
À pergunta sobre se a sociedade recorre cada vez mais frequentemente ao especialista para doenças que antes não se tratavam, Castilla del Pino afirmou que hoje ''as pessoas não querem sofrer'' e que ''tendo os meios, não têm por que fazê-lo''.


