Londrina - ''Eu estava indo para o trabalho, morava perto e ia pela rodovia sempre sozinha. Até o dia que um homem encostou uma arma em mim e me levou para o mato.'' Sandra (nome fictício) tinha 15 anos quando foi estuprada em São Paulo.
O crime foi uma das razões que a levou a experimentar drogas aos 17. ''Tinha depressão. Uma amiga me disse que a maconha ia me deixar mais alegre e me ajudaria a relaxar'', conta. Pouco depois, conheceu o crack. ''Com a maconha eu ficava até mais sociável, mas com o tempo não fazia o mesmo efeito. Sempre fui depressiva e uma amiga disse que o crack ia ajudar. Mas virei um bicho. No crack você só pensa em ficar sozinho, tem gente que vai até para o meio do mato.''
Faz 21 anos que Sandra foi estuprada, mas as consequências do crime ainda fazem parte do cotidiano dela. Ela já foi internada 3 vezes. Quando conversou com a Reportagem, estava no Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Outras Drogas (Caps AD). Fumava um cigarro e tinha marca de queimado na ponta dos dedos, por conta do uso de crack. ''Há um mês tive uma recaída'', confessa.(D.B.)

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