Brasília, DF - Em cerca de nove meses, as atuais imagens de advertência nos maços de cigarro serão substituídas por outras, mais agressivas. Em vez de fotos como a da necrose de uma perna e a de uma criança com problema respiratório, as novas montagens trarão, por exemplo, um feto dentro de um cinzeiro, pés com os dedos mutilados por gangrena e um coração infartado repleto de pontas de cigarro.
Acima das imagens, haverá palavras ou expressões que sintetizam problemas decorrentes do fumo: ''vítima deste produto'' na montagem do bebê ou ''morte'', entre outras.
Divulgada ontem pelo Ministério da Saúde, uma pesquisa deste ano da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e da UFF (Universidade Federal Fluminense) com universitários, sobre as imagens novas e antigas, mostrou que causavam aversão, mas moderada.
As que tinham menos impacto eram as jocosas e/ou relacionadas a situações sociais, como um casal na cama simbolizando impotência sexual. Segundo Luiz Antonio Santini Rodrigues da Silva, presidente do Inca (Instituto Nacional de Câncer), que apoiou a pesquisa, o objetivo da mudança é causar mais repulsa ao cigarro.
Além das novas imagens, haverá cartazes e campanhas de rádio voltados ao público jovem. Ao final do programa, o locutor diz: ''Para a indústria do cigarro, o ser humano é negócio. Fique esperto: começar a fumar é cair na deles''.
O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, afirmou que, apesar da proibição da propaganda, a indústria de cigarro consegue atrair o público jovem patrocinando eventos culturais e esportivos.
Temporão voltou a defender duas iniciativas que o governo até agora não levou adiante. Uma delas é a proibição do fumo em ambientes fechados. O projeto foi anunciado pelo ministro em setembro, mas está parado na Casa Civil. Segundo Temporão, a demora se deve ao fato de a prioridade do governo no Congresso
ser a regulamentação da emenda 29, que estabelece o montante de recursos destinados à saúde. ''É uma questão meramente tática.''
Ele também pleiteou um aumento da tributação sobre o cigarro, o que foi rechaçado pela Receita -que afirma que a medida aumentaria o contrabando do produto.
A reportagem procurou a Associação Brasileira da Indústria do Fumo, mas a entidade disse que só as empresas poderiam se pronunciar. A Souza Cruz não se manifestou. A Philip Morris disse não ter ainda avaliação sobre o tema.

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