Maciel prevê crescimento no 2º semestre mas evita discutir mínimo
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domingo, 18 de abril de 1999
Por Tânia Monteiro 
Carajás (PA), 19 (AE) - O presidente em exercício, Marco Maciel, anunciou hoje que no segundo semestre a economia brasileira estará normalizada e que o País voltará a crescer. Com isso, assegurou, as perspectivas serão melhores até mesmo do que os índices de crescimento negativo de 4% no ano, projetados pelos técnicos brasileiros na carta de intenções entregue ao Fundo Monetário Internacional (FMI), no final de fevereiro.
Para ele, as projeções de queda de 6% e 8% nas taxas de crescimento do País, previstas no início do ano, fazem parte do passado. "Com a situação econômico-financeira melhorando, em um prazo mais rápido do que se esperava, não diria que o crescimento será positivo, mas vai suplantar o decréscimo que tivemos no primeiro semestre", disse ele.
O vice-presidente ressaltou que é natural que, com a volta do crescimento do País, o desemprego se reduza. "Com a realidade brasileira apresentando dinamismo, novos postos de trabalho surgirão", argumentou ele, ao informar que muitas empresas já começam a trabalhar com hora extra, primeiro passo para ampliação do número de empregos.
As declarações de Maciel foram feitas no Projeto Carajás
no sul do Pará, onde participou da assinatura de uma carta de intenções, com o vice-presidente colombiano, Gustavo Bell, para instalação de um projeto de matriz energétrica do Brasil com a Colômbia, a exemplo do que já ocorre nos casos do petróleo venezuelano e argentino e do gás boliviano.
O projeto prevê a instalação, em Puerto Bolívia, na costa colombiana, de uma usina siuderúrgica que utilizará minério de ferro brasileiro e gás natural colombiano, para a produção de aço para o abastecimento do mercado regional.
Mínimo - Apesar do otimismo, Maciel não quis falar sobre o aumento do salário mínimo, alegando que é preciso analisar o impacto desse reajuste sobre a Previdência. Para ele, "dar um aumento maior do que o possível, pode não significar uma melhoria para o assalariado porque não há inimigo maior para o trabalhador do que a inflação".
Antes da cerimônia, um constrangimento: a ausência do governador do Pará, Almir Gabriel (PSDB), convidado para o evento, embora estivesse na cidade. Gabriel protestava contra a decisão da Companhia Vale do Rio Doce, que preferiu construir a usina na Colômbia, em detrimento do estado. Gabriel se encontrou com Maciel no aeroporto de Carajás e informou que não iria comparecer à solenidade, preferindo ir se reunir com lideranças paraenses, na cidade de Parauapebas, 25 quilômetros da sede da empresa.
Segundo a assessoria de Gabriel, o governador "não aceita que a Vale seja um enclave no estado". De acordo com Gabriel, quando o Pará quer que a Vale faça investimentos no estado, a empresa tem dúvidas, mas, no entanto, tem projetos prontos para outros países. A Vale alega que, ao se fazer em um investimento é preciso pensar no retorno financeiro.


