Brasília, 13 (AE) - Por muito pouco, uma nova crise política não afetou o governo e foi preciso a interferência do vice-presidente Marco Maciel para evitar que o afilhado político e titular da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), Aloísio Sotero, deixasse o cargo hoje mesmo.
Divergências com o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, vinham causando constrangimento a Sotero, que se sentia desconfortável no cargo.
Bezerra, que havia convocado uma coletiva para anunciar que aceitaria o pedido de demissão do superintendente da Sudene, retrocedeu dez minutos antes da entrevista, depois que Sotero telefonou para o gabinete dele. Numa rápida conversa, o superintendente desmentiu notícias divulgadas pela imprensa de que deixaria a Sudene. "Tem muita espuma nisso tudo", disse Sotero, antes de conversar com Bezerra.
O ministro afirmou não ter recebido nenhuma carta de Sotero pedindo demissão, mas disse que a aceitaria, se fosse o caso. O superintendente estará em Brasília amanhã (14) para uma reunião que discutirá uma nova estratégia de assistência aos flagelados da seca.
Hoje pela manhã, o ministro esteve com Maciel para tratar do tema, mas negou qualquer pressão com o ojbetivo de manter Sotero no cargo. "Não fui pressionado até porque não houve demissão."
Bezerra reconhece, no entanto, haver divergências com ele. Sotero é contra a proposta do ministro de extinguir 14 escritórios do órgão espalhados pelos Estados do Nordeste, Brasília, São Paulo, Rio e Minas Gerais. Não concorda também com a demissão de 500 dos 990 servidores. Bezerra afirma que não pretende demitir, mas pôr em disponibilidade pelo menos 50% desses funcionários.
Apesar das negativas, o superintendente da Sudene mostra aos interlocutores mais próximos o constrangimento de permanecer no comando do órgão, sendo obrigado a demitir metade dos funcionários. Sotero quer que o enxugamento seja feito apenas em 2000, quando está prevista a transformação da Sudene numa agência de desenvolvimento. Bezerra disse hoje que só irá rever a decisão caso seja apresentado estudo que o convença da necessidade de manter tantos funcionários num órgão com poucas funções.
Outro fator de desconforto para Sotero é a intenção de Bezerra de indicar alguém de confiança dele para o cargo de superintendente-adjunto do órgão. O tema criou uma queda-de-braço entre o PFL e o PMDB. A Sudene foi dada a Maciel, juntamente com a Caixa Econômica Federal (CEF), como uma compensação pela saída do ex-ministro Gustavo Krause do Ministério do Meio Ambiente, em janeiro. "Sotero deve ficar na Sudene para evitar uma crise política na base de sustentação do governo", disse um deputado pefelista ligado a Maciel.
Recente auditoria feita na Sudene mostra que, desde 1959
as perdas com o sistema de incentivos fiscais à região - hoje conhecido como Finor - chegam a R$ 550 milhões. Desse total, o órgão tenta reaver na Justiça cerca de R$ 400 milhões, comprovadamente desviados pelos beneficiados. Dos 2.094 projetos financiados pela Sudene nos últimos 40 anos, 647 foram cancelados, faliram por motivos diversos, não foram concluídos ou tiveram recursos desviados.

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