Brasília, 16 (AE) - O presidente em exercício, Marco Maciel, afirmou hoje que não se deve "magnificar as questões ou problemas que não têm maior significado", referindo-se à polêmica entre o presidente Fernando Henrique Cardoso e o presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), sobre o Judiciário.
ACM havia ficado irritado com as declarações de Fernando Henrique, que atribuiu uma importância maior à reforma do que à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Judiciário. "A CPI está caminhando, assim como a reforma do Judiciário na Câmara", prosseguiu o presidente em exercício, que também não vê incompatibilidade entre a tramitação da CPI dos Bancos e a do Judiciário. "Elas não são incompatíveis, desde que o Senado as conduza com responsabilidade", comentou.
Maciel elogiou a postura do presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), que evitou a instalação de uma nova CPI do Sistema Bancário para caminhar paralelamente à do Senado, como desejavam os deputados oposicionistas. Ele admitiu que conversou com Temer sobre o tema, mas negou ter impedido a instalação da CPI na Câmara. "Os Poderes são harmônicos e independentes", disse Maciel, garantindo que a decisão de não aceitar outra CPI foi única e exclusivamente de Temer.
"A decisão dele foi boa", comentou o presidente, ao lembrar que a postura de Temer teve um grande apoio no plenário da Câmara e está tendo uma boa repercussão. "Guardou consonância com uma jurisprudência que já existe na Casa", argumentou, acentuando que não foi uma decisão insólita ou inédita.
Maciel observou: "Como já existe uma CPI no Senado, o melhor seria a Câmara continuar avançando, como está fazendo, em outras matérias, inclusive com a comissão especial sobre a reforma do Judiciário."
O presidente interino afirmou que, assim como Fernando Henrique, também nunca tinha ouvido falar no Banco Marka, até surgir as primeiras denúncias de venda de dólares a preço abaixo do mercado pelo Banco Central (BC) para aquela instituição. Para ele, o BC não sai arranhado do episódio. "Acho que o Banco Central está oferecendo as explicações todas sobre o caso", declarou, esquivando-se de fazer maiores comentários. "Não queria falar sobre isso antes do final das investigações", completou. O ministro-chefe da Casa Militar, general Alberto Cardoso, por sua vez, assegurou que a área de inteligência do governo, sob a responsabilidade dele, não está investigando as denúncias de favorecimento ao Banco Marka. Segundo ele, a Receita Federal possui uma excelente equipe de pessoal de inteligência que trabalha nesta área e o tema está ligado à CPI e à Polícia Federal (PF).

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