Machinea reafirma que Argentina não mudará regime de paridade Do enviado especial Vladimir Goitia
Machinea reafirma que Argentina não mudará regime de paridade Do enviado especial Vladimir Goitia9/Mar, 12:16 Buenos Aires, 09 (AE) - O ministro da Economia da Argentina, José Luis Machinea, reafirmou hoje que o país não mudará o seu regime de paridade em relação ao dólar e descartou qualquer possibilidade de dolarização da economia argentina. Veja a seguir os principais pontos da entrevista do ministro a correspondentes estrangeiros em Buenos Aires, durante café da manhã realizado hoje: Conversibilidade: O ministro disse que a Argentina tem um esquema de câmbio do qual não vai sair pelo menos nos próximos dez anos. "É o melhor que temos e, por mais que quiséssemos sair dele, não podemos, já que 90% da dívida pública está em dólares, 75% da dívida privada também, 100% dos contratos de privatização e concessões também estão em dólares, além de 80% dos aluguéis e outros contratos. Ou seja, não há forma alguma de quebrar esses contratos", disse. De acordo com ele, a conversibilidade, que entrou em vigor em abril de 1991, tem mostrado ser um instrumento poderoso para a estabilidade da economia da Argentina e para o crescimento. Dolarização: Embora quase toda a economia argentina esteja dolarizada (veja declarações acima), o ministro descartou qualquer possibilidade de dolarizar total e oficialmente a economia do País. Segundo ele, os custos seriam maiores do que os benefícios, já que a Argentina teria, nesse caso, de dolarizar todas as suas transações. "Não há uma lógica para construí-la, já que a estabilização do País não passa por uma mudança de moeda, ela tem a ver com a solvência do setor público e isso não muda, seja em peso, seja em dólar", disse o ministro. Além disso, acrescentou o ministro, a dolarização total da Argentina provocaria custos grandes para o Mercosul. "Não queremos destruir o Mercosul, queremos mais Mercosul", afirmou. Crescimento: O ministro disse que a Argentina vai cumprir este ano com sua meta de crescer 4%. De acordo com ele, nos próximos anos a economia do País tem potencial para crescer entre 4% e 5% de forma sustentável. Competitividade: O ministro confirmou que o governo vai anunciar na próxima semana um plano amplo para melhorar a competitividade da economia do país. Entre os principais pontos do plano estão a redução de custos de produção (redução de alguns impostos) e ampliação da competitividade, com impostos menores sobre o trabalho. Êxodo: O ministro negou que esteja havendo êxodo de empresas argentinas para o Brasil. De acordo com ele, é difícil detectar hoje a quantidade de empresas que teriam transferido suas unidades industriais para o Brasil. Ele acha exagerados os números divulgados pela imprensa argentina, já que não existem estatísticas reais sobre o assunto. "O problema é que na Argentina os empresários gostam de dizer ao ministério da Indústria e Comércio: 'ou vocês me dão alguma coisa, ou vou embora para o Brasil'. Isso é um disparate", disse o ministro. De acordo com ele, os subsídios e vantagens fiscais oferecidos por alguns estados brasileiros provocam, sim, um efeito negativo sobre a competitividade argentina. Para ele, é necessário resolver esses problemas em uma mesa de negociações. Sobre o fato de alguns governadores de províncias argentinas dizerem que pretendem também iniciar uma guerra de subsídios, o ministro disse que essa reação é natural e compreensível, mas que não é o caminho correto. Especialização: Machinea contestou as recentes declarações do presidente Fernando Henrique Cardoso feitas à revista Época de que o caminho natural do Mercosul seria a especialização. "Isso geraria conflitos internos muito graves" afirmou Machinea. Para ele, é natural que alguns setores das economia venham a trilhar uma especialização, como a Argentina na área de agroindústria. Mas, acrescentou Machinea, isso não significa que a Argentina não possa ou venha a ser competitiva também em setores industriais, como no setor petroquímico.





