Machinea questiona êxodo de empresas
Machinea questiona êxodo de empresas9/Mar, 21:28 Por Ariel Palácios, especial para a AE Buenos Aires, 09 (AE) - A idéia de êxodo de indústrias ao Brasil é um disparate, segundo o ministro da Economia da Argentina, José Luis Machinea, ao dar sua opinião sobre o polêmico relatório da União Industrial Argentina (UIA), entidade patronal local. O relatório afirma que uma centena de empresas locais já partiram para o Brasil, de forma parcial ou completo. Mas, segundo o ministro, existe outro motivo para o alarde sobre essa hipotética migração: "Na Secretaria de Indústria e Comércio é costumeiro que apareçam empresários dizendo que se não lhe dermos isto ou aquilo, vão embora para o Brasil." Apesar da chantagem econômica, Machinea admitiu que existe uma atração pelo Brasil, causada pela desvalorização do real, e "pelos absurdos subsídios concedidos pelos Estados brasileiros". No entanto, o ministro considera que isso não poder ser motivo para "declarar guerra ao Brasil". Ele criticou as recentes declarações do governador da província de Buenos Aires, Carlos Ruckauf, o qual afirmou que "o Brasil está causando um aumento da criminalidade na Argentina porque leva nossas empresas, aumentando assim o desemprego". Ruckauf também sustentou que boicotaria empresas argentinas que emigrassem ao vizinho do Mercosul. Machinea desprezou estes anúncios e afirma que "a solução para estas crises é mais Mercosul". Com ironia, o ministro afirmou que "o que verificamos foi a partida de algumas empresas de auto-peças, ao redor de umas 20. Mas cem? Além das empresas de autopeças, não houve nenhuma partida significativa". O ministro disse que temia pelo início de uma guerra de subsídios entre Estados brasileiros e províncias argentinas. "É natural que alguns governadores argentinos tenham anunciado subsídios para manter empresas. Essa é a reação natural quando vêem chegar um senhor do Brasil, com uma valise cheia de incentivos". No entanto, eximiu-se de qualquer interferência nessas atitudes. "Da mesma forma que o governo federal brasileiro não pode fazer nada com seus Estados, nós não podemos fazer nada com nossas províncias. Mas nós, no governo federal, não entraremos nesse joguinho." Sobre o regime automotivo entre o Brasil e a Argentina, Machinea recusou-se a prever a data de sua definição. Quanto à cúpula de ministros do Mercosul, marcada para fins de abril, ele disse que preferia que o encontro ocorresse antes. "Temos muitas coisas para resolver." Machinea declarou que seu governo descarta totalmente uma desvalorização da moeda. "Vamos manter a paridade um a um entre o dólar e o peso por uma década", disse. "Não poderíamos fazê-la: 90% da dívida pública está em dólares, além de 75% das dívidas privadas, 80% dos aluguéis e 100% dos contratos de privatizações". O ministro relativizou a desvalorização do real afirmando que a moeda brasileira "já está sendo revalorizada".





