Buenos Aires, 21 (AE-AP) - O ministro da Economia, José Luis Machinea, disse hoje em Buenos Aires que a Argentina e o Brasil devem chegar a um "acordo político de estímulo regional". Com isso, disse ele, se evitaria uma guerra comercial dentro do Mercosul. O crescente número de empresas que abandonam a Argentina para se estabelecer no Brasil, aproveitando as vantagens e estímulos fiscais, tem provocado queixas dos argentinos e pedidos de alguns setores para que sejam impostas restrições a esse movimento de capitais.
Há alguns dias, o governador de Buenos Aires, o peronista Carlos Ruckauf, fez um pedido de salvaguardas dentro do Mercosul para eventuais medidas econômicas e financeiras que o Brasil venha a adotar. Em declarações a uma emissora de rádio, Machinea disse que se a crise do Mercosul persistir, "pode começar uma guerra entre os Estados brasileiros e as províncias argentinas". Para o ministro, se isso acontecer, o Mercosul pode se transformar num centro de leilões onde empresas vão e vêm ao sabor dos subsídios".
Machinea acha que o ideal seria eleger os seis ou sete setores mais conflitivos e colocá-los "sob um guarda-chuvas para um período de adequação". O ministro também fez eco às declarações do presidente Fernando de la Rúa de que "o Mercosul é uma opção estratégica para a Argentina". Ele acha que é preciso aperfeiçoar o bloco subregional, desenvolver instituições dentro dele, definir mecanismos de coordenação macroeconômica e estruturar estratégias para a reconversão produtiva. "Estas são as quatro iniciativas que agora estão sendo negociadas com o Brasil".
Política cambial - O chefe de Gabinete de De la Rúa, Rodolfo Terragno, disse que é preciso uma negociação com o Brasil para que o Mercosul tenha uma política cambial comum. Ela teria de "reconhecer disparidades e, no caso de desníveis cambiais inesperados, estabelecer um regime de compensação". Terragno faz eco às recentes preocupações do governador Ruckauf, para quem é preciso proteger o Mercosul de futuras desvalorizações monetárias. A desvalorização do real, em janeiro de 1999, gerou desequilíbrios e comprometeu a competitividade da produção argentina.

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