Washington, 01 (AE) - O senador John McCain, do Arizona, ganhava hoje (01) com ampla vantagem sobre seu rival, o governador do Texas, George W. Bush, as eleições primárias presidenciais pelo Partido Republicano em New Hampshire, segundo os primeiros resultados divulgadas pelos canais de televisão norte-americanos.
A vitória de McCain é um revés forte e inesperado para Bush, candidato favorito dos republicanos no âmbito nacional.
Contados 4% dos votos, 48% tinham sido dados a McCain e 32% para Bush que admitiu sua derrota. O governador enviou seus cumprimentos a McCain, mas lembrou que a batalha para a conquista da candidatura presidencial vai "ser longa".
Por outro lado, a disputa entre os democratas estava apertada. Os resultados iniciais davam ao vice-presidente Albert Gore 53% dos votos e ao seu rival o ex-senador Bill Bradley, 47%.
O bom comparecimento de votantes alimentou as esperanças de McCain e de Bradley por causa da importância que os eleitores independentes têm em New Hamsphire e de sua inclinação a não apoiar os candidatos considerados favoritos. Já era esperado que essa tendência se revelasse uma boa notícia especialmente para McCain, que fez campanha durante meses no Estado, liderava as pesquisas antes da votação e vinha, de acordo com várias sondagens, atraindo mais independentes do que Bush.
Em um possível sinal de que teria uma noite difícil depois do anúncio dos resultados, Bush desistiu no fim da manhã de buscar votos na porta das seções eleitorais e anunciou que passaria o resto do dia em seu hotel, em Manchester, assistindo a filmes com sua mulher e as duas filhas.
Do lado democrata, Gore e Bradley caçaram votos durante todo o dia. Mas algumas horas antes do encerramento do pleito o ex-senador de New Jersey deu uma declaração que foi imediatamente interpretada como um sinal de derrota.
Bradley, que estava atrás de Gore nas pesquisas antes da votação, disse estar preparado para as pressões que sofreria de seus correligionários democratas para desistir da disputa se perdesse para o vice-presidente. "Mas não farei isso e levarei minha campanha adiante", afirmou ele.
A esperada vitória de McCain em New Hampshire pode ter um impacto significativo na campanha que está começando na discussão de um tema que marcou todas as disputas presidenciais nos Estados Unidos desde que o republicano Ronald Reagan o colocou no centro de sua vitoriosa plataforma eleitoral em 1980: o corte dos impostos.
Filho e neto de almirantes e ex-prisioneiro na Guerra do Vietnã, McCain tem sólidas credenciais de conservador. Mas não concorda com as propostas de corte de cerca de US$ 800 bilhões de impostos apresentada por Bush.
O senador disse que considera uma renúncia fiscal dessa magnitude excessiva, perigosa e a condenou como produto de uma visão antiga de política fiscal entre os republicanos, demasiadamente voltada para os interesses dos ricos e insensível à necessidade de pagar a dívida pública e reforçar os sistemas previdenciário e de seguro de saúde federal para atender a uma população crescente de idosos.
Estudos recentes indicam que McCain interpreta melhor do que Bush o sentimento do eleitorado. Com o país vivendo o mais longo período de crescimento da história e três quartos do eleitorado dizendo que sua situação pessoal é melhor hoje do que há oito anos, não há o clamor que havia na campanha de 1980 por um alívio dos tributos. Um levantamento conduzido pelo Pew Research Center é ilustrativo.
Perguntados se os saldos do orçamento federais previstos para os próximos vários anos deveriam ser usados pelo governo para financiar programas de gastos ou devolvidos aos contribuintes, sob a forma de uma corte de impostos, 60% optaram pela redução dos tributos federais.
Mas diante de uma pergunta mais específica, que lhes ofereceria a possibilidade de diminuir os impostos ou aplicar o saldo fiscal em investimentos nas áreas de saúde, meio ambiente, previdência, luta contra o crime e melhorias na defesa, 66% preferiram a segunda alternativa.

mockup