Má distribuição de renda reflete nas crianças
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 16 de dezembro de 1998
Agência Estado 
O Brasil, a Guatemala e Honduras, são destaque entre os países com pior distribuição de renda na América Latina. A pobreza e investimento reduzido na população mais pobre têm reflexos negativos na situação da criança e do adolescente, segundo o relatório A Infância Brasileira nos Anos 90, divulgado ontem pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).
Em 1995, 1% da população brasileira tinha uma renda média domiciliar per capita 62 vezes superior à dos 40% mais pobres. Na média, a população mais pobre recebia em torno de 0,66 salários mínimos (considerando o salário de setembro de 1995, que era de R$ 100,00), contra um renda de 40 salários mínimos para aquele 1% de brasileiros privilegiados.
Não só na renda existe contraste entre os mais ricos e mais pobres, informa o relatório. No grupo dos 40% de mais baixa renda, 11,5% das crianças estavam fora da escola. Enquanto isso, no grupo mais ricos o porcentual era de somente 0,7%. Os indicadores de ausência na escola são quase 25 vezes maiores entre as crianças pobres, informou o representante do Unicef no Brasil, Agop Kayayan.
O relatório chama a atenção para mortalidade infantil. No Brasil, de cada mil crianças 45 não chegam a completar um ano de vida. Em países de menor renda per capita, como Cuba e Costa Rica, a mortalidade é quatro vezes menor. A tendência da mortalidade infantil é cair, mas é preciso intensificar ações para que a velocidade da queda seja maior, disse Kayayan, alertando para o risco de eventuais cortes de orçamento de projetos voltados para o atendimento à pobreza e crianças, como os Programas de Saúde da Família e de Agentes Comunitários de Saúde.
Estes programas poderiam ajudar o Brasil a equilibrar os investimentos federais na infância.


