''A situação piorou ainda mais para pessoas que já tinham condições de vida muito ruins. É como uma pessoa que estivesse afogada com um dedo de água acima da cabeça e agora está com dois dedos de água. Dentro das favelas, existem diferentes grupos sociais. Os mais vulneráveis vivem em ocupações mais recentes, em espaços mais precários'', diz o geógrafo Jailson de Souza e Silva, professor da Universidade Federal Fluminense (UFF) e ex-morador do Complexo da Maré, na zona norte.
Jailson é integrante da ONG Observatório de Favelas e um dos fundadores do Centro de Estudos Ações Solidárias da Maré (Ceasm). O professor rejeita o termo ''miseráveis''. ''Miserável e indigente não são termos para falar de ninguém. São carregados de adjetivação, agressivos'', critica Jailson.
Para o economista Marcelo Néri, a má distribuição de renda é a ''causa fundamental'' da pobreza no País. Ele calcula que, com crescimento econômico de 3% e redução do índice de Gini (quanto mais perto de zero, mais igualdade) de 0,585 para 0,574, a proporção de miseráveis cairia para 24,92% em 2004, o que seria um excelente desempenho. ''A desigualdade teve uma diminuição nos últimos dois anos e este é um dado animador'', diz.(L.N.L.)

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