Luz Vermelha reencontra tio
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 27 de agosto de 1997
Dary Júnior Curitiba 
Mauro FrassonDe volta ao larO ex-criminoso João Acácio Pereira da Costa abraça o tio José Pereira, que o criou na infânciaDois reencontros marcaram a passagem de João Acácio Pereira da Costa, o Bandido da Luz Vermelha, ontem, por Curitiba. Primeiro, ele encarou o delegado aposentado Edgar Pochpolek, responsável pela sua prisão há 30 anos. Depois, foi a vez de o ex-criminoso abraçar o tio José Pereira, que o criou na infância. As surpresas foram preparadas pela produção do programa 190 Urgente, da Central Nacional de Televisão (CNT).
Acácio não reconheceu o ex-delegado, mas ouviu dele uma declaração favorável. Pelo que vejo, ele está recuperado, comentou Pochpolek. Essa opinião foi apoiada por 45,7% dos telespectadores que ligaram para o programa. A maioria, 54,3%, discordou. Já o reencontro do Bandido da Luz Vermelha com seu tio deixou o ex-criminoso emocionado. Nós queremos você lá conosco, afirmou José Pereira, que chorou ao longo da entrevista.
Durante o programa, que bancou sua viagem e estada em Curitiba, Acácio anunciou seu destino: vai mesmo morar com o tio em Joinville (SC), para onde segue hoje de manhã. A casa do irmão Joaquim Tavares Pereira, no Balneário de Coroados, em Guaratuba, Litoral do Paraná, foi descartada. Ambos tiveram uma discussão em Taubaté (SP), domingo passado, quando se despediam. Já falei com o Joaquim por telefone e pedi perdão pelas coisas que disse a ele, contou o Bandido da Luz Vermelha.
O ex-criminoso fez questão de dizer à imprensa reunida no auditório do 190 Urgente que vai trabalhar. Na verdade, o Bandido da Luz Vermelha pretende viver da fama trazida pelo fato de ter sido o homem mais temido no País durante a década de 60. Vou escrever um livro para contar a minha história, adiantou. Passei 30 anos na cadeia, não tem porquê roubar alguém e voltar para lá, acrescentou, com a fala rápida que lhe é peculiar.
O advogado do Bandido da Luz Vermelha, José Luiz Pereira, presente à entrevista, disse que vai pedir ajuda do Estado para o cliente. A Lei de Execuções Penais assegura assistência médica e social ao ex-detento, lembrou ele, que também teve passagem de avião e estada pagas pela CNT. Seu filho, Ricardo, uma espécie de assessor, negou que a emissora tivesse dado dinheiro para João Acácio ser entrevistado pelo apresentador Carlos Ratinho Massa.


