Porto Alegre
Com 1,2 milhão de fiéis no País, a Igreja Evangélica de Confissão Luterana do Brasil (IECLB) defende o aborto nos casos em que lei autoriza, critica a sociedade por criminalizar as mulheres e a irresponsabilidade dos homens. ‘‘É preciso levar a sério a angústia e a aflição de mulheres portadoras em seus ventres de vidas geradas por violência ou coação - ou que nascerão com graves defeitos - que não vêem condições psíquicas e econômicas de acolher’’, diz documento distribuído ontem pelo conselho diretor da IECLB, formado por 21 pastores e leigos.
‘‘Nossa posição está afinada com a da cúpula da Federação Luterana Mundial’’, afirmou o pastor presidente da IECLB, Huberto Kircheim. Os luteranos são cerca de 90 milhões no mundo e, no Brasil, sua sede é em Porto Alegre. Kircheim disse que os hospitais mantidos pela IECLB não têm motivos para rejeitar pacientes em busca de aborto após estupro, quando a vida da mãe estiver sob risco ou o feto apresentar grave malformação.
O texto ‘‘Posicionamento sobre a Questão do Aborto’’ critica a ‘‘falta de disposição da sociedade brasileira’’ para debater os motivos que levam as mulheres a recorrer ao aborto. Os luteranos observam que, em vez disso, prefere se ‘‘criminalizar as vítimas’’. Descreve as gestantes, carregando a decisão de abortar ou não, como ‘‘vítimas dos homens, que não se responsabilizam pela vida que geraram, ou da ignorância, por não saberem se proteger contra a gravidez indesejada’’. No documento, a IECLB dirige-se às mulheres afirmando: ‘‘Aqui você tem lugar’’.
Defensor do planejamento familiar e do uso de métodos contraceptivos como a camisinha e a pílula anticoncepcional, Kircheim disse que o assunto não é tratado no púlpito, mas dentro dos grupos de jovens e de mulheres da IECLB. Argumentando que Deus ‘‘dá ao homem a capacidade de ser co-criador para que não cometa besteiras ou absurdos’’, recomendando o planejamento em várias áreas, inclusive na família.
Lembrando que, anualmente, 1,4 milhão de mulheres abortam no Brasil, o pastor-presidente propôs educação sexual adequada, reavaliação da prática sexual masculina, planejamento familiar e informação e mais facilidade de acesso aos métodos anticoncepcionais ‘‘para evitar que as gestantes se vejam em situações em que o aborto pareça ser a única saída’’.

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